Saturday, July 12, 2014
1920-1922-GRUPO PERFORMÁTICO DA FÁBRICA DO ATOR EXCÊNTRICO [FEKS] (Leningrado, c. 1920-1922).
GRUPO PERFORMÁTICO DA FÁBRICA DO ATOR EXCÊNTRICO [FEKS] (Leningrado, c. 1920-1922).
O Grupo Performático da Fábrica do Ator Excêntrico [FEKS], rejeitou o Futurismo italiano no seu manifesto; no entanto, o que fez na teoria, não realizou na prática. Os espetáculos do FEKS mesclaram a Cultura da Diversão com o espetáculo de variedades, introduzindo a música do jazz, quadros cômicos e números especiais tipo Music-Hall. Este tipo de espetáculo celebrava a cultura Futurista: um dos espetáculos encenado pelo grupo foi A Morte de Tarelkin, de A. V. Sukhovo-Kubylin, sátira à polícia czarista e a burocracia russa, dirigida por Vsevolod Meyerhold (Vsevolod Emilovich Meyerhold: Karl Theodor Kasimir Meiergold, 1874-1942), encenado com cenário Construtivista e móveis dobráveis de Várvara Stepanova (1894-1958). Na essência, foi aplicação prática das teorias divulgadas por F. T. Marinetti (1876-1944), mentor do Futurismo italiano no seu Manifesto do Teatro de Variedades, assinado conjuntamente com Fortunato Depero (1892-1960), quando,
[…] tudo move-desaparece-reaparece, multiplica, quebra, pulveriza, treme, transforma-se em cena, máquina cósmica que é a vida […] (v. Manifestos Futuristas).
A dupla de fundadores da Fábrica do Ator Excêntrico [FEKS], desenvolveu projeto cinematográfico associado às vanguardas, principalmente expressivo no cinema apresentado posteriormente, dirigido por Grigory Kosintsev (1905-1973) e Leonid Trauberg (1902-1990).Esses diretores cinematográficos ainda são pouco conhecidos fora de seu país, mas ocupam lugar de destaque, principalmente na produção soviética na década 1930-1940. O muito conhecido cineasta russo Sergey Eisenstein (1898-1948), pertenceu ao FEKS, movimento teatral, dito, Futurista, por ser voltado para o futuro.
REFERÊNCIAS SELECIONADAS:
GOLDBERG, R. Performance Art: from Futurism to the Present. London: Thames and Hudson 2001. 206 p., il. Algumas color., pp. 37, 44. 15 x 21 cm (world of art).
GOLDBERG, R.; ANDERSON, l. (Foreword). Performance: live art since 1960. New York: Harry N. Abrams, 1998. 240p.: il., p. 48. 26 cm x 29 cm.
CATÁLOGO. HULTEN, P. (ORG.); JUANPERE, J.A.; ASANO, T.; CACCIARI, M.; CALVESI, M.; CARAMEL, L; CAUMONT, J; CELANT, G; COHEN, E.; CORK, R.;CRISPOLTI, E.; FELICE, R; DE MARIA, L.; DI MILLIA, G.; FABRIS, A.; FAUCGEREAU, S.; GOUGH-COOPER, J.; GREGOTTI, V.; LEVIN, G.; LEWISON, J.; MAFFINA, F.; MENNA, F.; ÁCINI, P.; RONDOLINO, G; RUDENSTINE, A.; SALARIS, C.; SILK, G.; SMEJKAI, F.; STRADA, V.; VERDONE, M.; ZADORA, S. Futurism and Futurisms. New York: Solomon R. Guggenheim Museum, Abeville Publishers, 1986. 638p.: il, retrs., p. 505.
Wednesday, July 9, 2014
1918-1932-CINEMA SOVIÉTICO PÓS-REVOLUÇÃO RUSSA.
CINEMA SOVIÉTICO PÓS-REVOLUÇÃO RUSSA (1918-1932).
No seio do Comissariado Popular para Educação e Cultura [IZO], a seção de cinema foi entregue a N. Kupskaia, esposa de Lenin e membro atuante na direção do PC. A parte cultural da instituição ficou a cargo da autoridade do Coronel Anatoly Lunacharski (1875-1933), que respondia diretamente a Lenin. A situação econômica do país logo se tornou catastrófica, levando a uma situação social bastante tensa, com levantes e greves que logo conduziram a U.R.S.S. à dita, Rebelião de Cronstadt (1921). As autoridades soviéticas criaram a NEP, organização estatal que operou o retorno da sociedade russa ao Capitalismo estatizado. Na época, começou a primeira perseguição ao cinema no novo regime político soviético: Lenin centralizou o domínio do estado sobre o cinema na VGIK.
O cineasta Lev Kuleshov (1899-1960) foi quem organizou a primeira Escola de Cinema no mundo, o Instituto Gerasimov de Cinematografia. O Coronel Anatoly Lunacharski, sob a orientação de Lenin, utilizou o cinema como meio de propaganda do novo regime. O próprio coronel escreveu o argumento de alguns filmes, como O Temerário, com N. Tourkine e M. Naomov. No início da década de 1920, devido a ascensão de Ióssif Stalin (1922-1953), Lunacharski emigrou: ele viveu na França até o final de seus dias (1923-1933). O coronel foi grande admirador de V. V. Mayakovski (1893-1930): ele expressou essa admiração na carta dirigida ao poeta (27 mar., 1927; ALBERA 2002). Na França, Lunacharski escreveu e publicou os livros: Lenin e o Cinema (1929) e Os Problemas da Arte do Cinema (1931).
No período da Segunda Guerra Mundial todos os grandes estúdios cinematográficos soviéticos, que se encontravam localizados em Moscou foram transferidos para Alma-Ata, região remota do Uzbesquistão. Foi nesse local inóspito que Eisenstein rodou o seu último filme,. Ivan o Terrível. Logo após a finalização da segunda parte, Eisenstein sofreu grave ataque cardíaco, e depois de 18 meses faleceu, resultado de outro colapso cardíaco. Declarou MARSHALL (1983) que o inevitável aconteceu: a resolução condenatória do Comitê Central abateu-se como um raio sobre os mais destacados diretores do cinema soviético: Eisenstein (Sergei Mikhailovich Eisenstein, 1898-1948), Pudovkin (Vsevolod Illarionovich Pudovkin, 1893-1953), Kozintsev (Grigory Mikhailovih Kosintsev, 1905-1973) e Trauberg (Leonid Zhakarovich Trauberg, 1902-1990). Os cineastas foram punidos pela representação fictícia das histórias que retrataram nos seus filmes. Assim é que, Ivan o Terrível - o poderoso líder, diplomata e homem de Estado, criador do Estado multinacional russo, antecessor de Pedro o Grande - foi retratado por Eisenstein como déspota, tirano sanguinolento, dono de consciência abalada e vontade doentia. Esse, o último filme de Eisenstein, foi proibido durante a era Stalin (1924-1953), somente liberado 15 anos após a morte do líder soviético, quando, mesmo inacabado, foi aclamado internacionalmente como obra-prima do russo Eisenstein.
REFERÊNCIAS SELECIONADAS:
ALBERA, F. Eisenstein e o construtivismo russo - A dramaturgia da forma em "Stuttgart". Tradução de Eloisa Araújo Ribeiro. São Paulo: Cosac e Naify, 2002, pp. 184, 197, 201,203.
DICIONÁRIO. PASSEK, J-L, GUILLEMOT, M. (Coord.). Larousse Dictionaire du Cinéma. Paris: Larousse, 1995. Larousse-Bordas, 1995. 1996, p. 1350
1996,
ENCICLOPÉDIA.CASSOU, J.; BRUNEL, P.; CLAUDON, F; PILLEMONT, G.; RICHARD, L. (Col.). Petite Encyclopedie du Symbolisme: Peinture, Gravure et Sculpture, Littérature, Musique. Paris: Somogy, 1988, pp. pp. 266-267.
EISENSTEIN, S; MARSHALL, H. (Pref. e Ed.). Memórias imorais: uma autobiografia. Tradução de Carlos Eugênio Marcondes de Moura. São Paulo: Cia das Letras, 1987, pp. 14, 128, n. 9-12,
1910-1917-GRUPO (RUSSO) UNIÃO DA JUVENTUDE [SOYUZ MOLODESHI] (São Petersburgo – Riga, 1910-1917).
GRUPO (RUSSO) UNIÃO DA JUVENTUDE [SOYUZ MOLODESHI] (São Petersburgo – Riga, 1910-1917).
Destaques: ROZANOVA, Olga, Mikhail MATIUSHIN.
O colecionador de arte Lev (Levkii Ivanovich) Zheverzheev (1881-1942), foi patrocinador e fundador do Grupo União da Juventude (São Petersburgo, 1910-1914). Participaram Natan Isaevich Altman (1889 - 1970), Yury Pavlovich Annenkov (1889 - 1974), Alexandr Porfirievich Archipenko (1887 - 1964), August Ivanovich Ballier (1879 - 1962), Vladimir Branioff-Rossiné (em Paris, Daniel Rossiné), Victor Sergeevich Barth (1887 - 1954), Sonya Ulanova Baudouin de Courtenay, Sergey Pavlovich Bobrov (1889 - 1971), Lev Alexandrovich Bruni (1894 - 1948), Varvara Dmitrievna Bubnova (1886 - 1983), David Davidovich Burliuk (1882-1967), Nikolas Davidovich Burlyuk (1890 - 1920), Vladimir Davidovich Burliuk (1886-1917), Valentin Ivanovich Bystrenin (1872 - 1944), Marc Chagall (1887-1985), Ivan Chekmazov (1901-1961), Vladimir Alexeevich Denisov (1887 - 1970), Konstantin Vikentievich Dydyshko (1876 - 1932), Aleksandra Aleksandrovna Ekster (1882 - 1949), Robert Rafailovich Falk (1886 - 1958), Pavel Nikolaevich Filonov (1883 - 1941), Arthur Vladimirovich Fonvizin (1882 - 1973), Alexander Fedorovich Gaush (1873 - 1949), Nataliya Sergeevna Gontcharova (1881 - 1962), Alexey Vasilievich Grishchenko (1883 - 1977), Elena Genrikhovna Guro (1877 - 1913), Alexey Eremeevich Karev (1879 - 1942), Valentina Mikhailovna Khodasevich (1894 - 1970), Ivan Vasilievich Klyun (1873 - 1943), Petr Petrovich Konchalovsky (1876 - 1956), Alexey Eliseevich Kruchenykh (1886 - 1968), Alexandr Vasilievich Kuprin (1880 - 1960), Galina Victorovna Labunskaya, Ivan Fedorovich Larionov (1884 - c. 1920), Mikhail Fedorovich Larionov (1881 - 1964), Elsa Alfredovna Lasson-Spirova (Participou do grupo de Filonov, dos Mestres da Arte Analítica, MAA); Mikhail Vasilievich Le Dantu (1891 - 1917), Aristarkh Vasilievich Lentulov (1882 - 1943), Nadezhda Vladimirovna Lermontova (1885 - 1921), Petr Ivanovich Lvov (1882 - 1944), Nadezhda Ivanovna Lyubavina (1881-1962), Kazimir Severinovich Malevich (1878 - 1935), Vladimir I. Markov (1877 - 1914), Iliya Ivanovich Mashkov (1881 - 1944), Zoya Yakovlevna Matveeva-Mostova (1884 - 1972), Mikhail Vasilievich Matyushin (1861 - 1934), Vladimir Vladimirovich Mayakovski (1893 - 1930), Lev Yakovlevich Mitelman, Petr Vasilievich Miturich (1887 - 1956), Alexey Alekseevich Morgunov (1884 - 1935), Svyatoslav Alexandrovich Nagubnikov (1886 - c. 1914/1915), Vera Novodvorskaya, Vera Efremovna Pestel (1886 - 1952), Kuzma Sergeevich Petrov-Vodkin (1878 - 1939), P. D. Potipaka, Ivan Albertovich Punin (na França, Jean Pougny, 1892 - 1936), Nikolay Efimovich Rogovin, Olga Vladimirovna Rozanova (1886 - 1918), Evgeny Yakovlevich Sagaydachny (1886 - 1961), Vera Fedorovna Shekhtel (1896 - 1958), Alexandr Vasilievich Shevchenko (1883 - 1948), Iosif Solomonovich Shkolnik (1883 - 1926), Tsaliya Yakovlevich Shleifer (1881 - 1943), Eduard Karlovich Sagaydachny (1875 - 1929), Vladimir Evgrafovich Tatlin (1885 - 1953), Nikolay Andreevich Tyrsa (1887 - 1942), Nadezhda Andreevna Udaltsova (1886 - 1961), Anastasiya Vasilievna Ukhanova (1885 - 1973), G. E. Verkhovsky, Rostislav Vladimirovich Voinov (1881 - 1919), Ossip Zaddkine (1890 - 1969), Nikolay Vasilievich Zaretsky (1876 - 1959), Iliya Mikhailovich Zdanevich (1894 - 1975), Anna Mikhailovna Zelmanova (c. 1890 - 1948), entre outros artistas. Participaram do Grupo União de Juventude artistas associados a outros grupos de vanguarda como o Valete de Diamantes e o Rabo de Burro (v.).
Olga Rozanova passou a promotora do Grupo União da Juventude em São Petersburgo. A artista participou anteriormente do grupo Supremus (1915-1916; v.), de Kazimir Malevich. A arte de Rozanova evoluiu para nova fase, superando o Cubo-Futurismo, embora nessa fase ela tenha realizado a série de pinturas que figuram entre as mais originais do movimento na Russia, inspiradas na iconografia dos naipes das cartas de baralho, pintando o valete e a dama de ouros. Rozanova viajou para a Itália, e expôs suas obras na 1ª Mostra Internacional de Arte Livre (Roma, 1914), conhecida como 1ª Mostra Futurista, organizada por F. T, Marinetti, italiano que visitou a Rússia (jan., 1914).
O grupo multidisciplinar União da Juventude patrocinou a primeira récita da peça O Mistério Bufo, de V. V. Maiakovsky, e a ópera Vitória sob o Sol, com prólogo de Velimir Khlebenikov, com Libreto de Aleksey Kruchenyk e música de Mikhail Matiushun, ambas encenadas no Teatro Luna Park da Ópera Cômica (São Petersburgo, 03/ 05 dez., 1913).
O Grupo União da Juventude organizou mostras de artes plásticas: a primeira realizou-se em Riga, e depois em Chernianka (Criméia, 1910), com a participação de obras de David Burliuk, Aleksandra Ekster, Pavel Filonov e Natália Gontcharova, entre outros. As mostras subseqüentes realizaram-se em São Petersburgo: a terceira com obras de David Burliuk, Natália Gontcharova, Mikhail Larionov, Kazimir Malevich, Olga Rozanova e Vladimir Tatlin (abril, 1911). Da quarta mostra (dez., 1911 - jan., 1912), participaram obras dos mesmos artistas, acrescidos das obras de Aleksandr Shevchenko (1882-1948). Da quinta exposição (dez., 1912), participaram obras dos mesmo grupo de artistas e de Ivan Albertovich Punin (na França, Jean Pougny, 1892 - 1936).
Na sexta e última mostra do grupo (nov., 1913), foi apresentada homenagem a Elena Guro (1877 - 1913), organizadora do Grupo (Literário) Hyleae (v.), falecida recentemente.
REFERÊNCIAS SELECIONADAS:
CATÁLOGO. HULTEN, P. (ORG.); JUANPERE, J.A.; ASANO, T.; CACCIARI, M.; CALVESI, M.; CARAMEL, L; CAUMONT, J; CELANT, G; COHEN, E.; CORK, R.;CRISPOLTI, E.; FELICE, R; DE MARIA, L.; DI MILLIA, G.; FABRIS, A.; FAUCGEREAU, S.; GOUGH-COOPER, J.; GREGOTTI, V.; LEVIN, G.; LEWISON, J.; MAFFINA, F.; MENNA, F.; ÁCINI, P.; RONDOLINO, G; RUDENSTINE, A.; SALARIS, C.; SILK, G.; SMEJKAI, F.; STRADA, V.; VERDONE, M.; ZADORA, S. Futurism and Futurisms. New York: Solomon R. Guggenheim Museum, Abeville Publishers, 1986. 638p.: il, retrs., p. 457.
KOVTUN, Y. (Introd., documentary material and annotation); BOWLT, J. (Foreword.). The Russian Avant-Garde in the 1920-1930s: Painting. Graphics, Sculpture, Decorative arts from the Russian Museum in St. Petersburg. Bournemouth: Parkstone Publishers. St. Petersburg: Aurora Art Publishers, 1996, 175p.: il., algumas color., p. 253.
CATÁLOGO. MILNER, J. Arte, Guerra y Revolucion. Apud La Vanguardia Rusa, 1905-1925, en las colecciones de los Museos Rusos. Madrid: Fundación Central Hispano, Fondación ELF, 1993. 295p.: il., color., p. 49.
INTERNET. HOWARD, Jeremy. The Union of Youth. P. D. Potipaka. Retrieved in: http://books.google.com.br/books?id=p3O8AAAAIAAJ&pg=PA108&lpg=PA108&dq=P.+D.+Potipaka&source=bl&ots=MKoXmRHz4y&sig=YArHXnW_bTCAeHvGJ3ivksoYnU0&hl=pt-BR&sa=X&ei=zyEOVK-GBvaJsQS_yoHQBw&ved=0CCgQ6AEwAQ#v=onepage&q=P.%20D.%20Potipaka&f=false-Acessed: September 8, 2014.REFERÊNCIAS:
CATÁLOGO. HULTEN, P. (ORG.); JUANPERE, J.A.; ASANO, T.; CACCIARI, M.; CALVESI, M.; CARAMEL, L; CAUMONT, J; CELANT, G; COHEN, E.; CORK, R.;CRISPOLTI, E.; FELICE, R; DE MARIA, L.; DI MILLIA, G.; FABRIS, A.; FAUCGEREAU, S.; GOUGH-COOPER, J.; GREGOTTI, V.; LEVIN, G.; LEWISON, J.; MAFFINA, F.; MENNA, F.; ÁCINI, P.; RONDOLINO, G; RUDENSTINE, A.; SALARIS, C.; SILK, G.; SMEJKAI, F.; STRADA, V.; VERDONE, M.; ZADORA, S. Futurism and Futurisms. New York: Solomon R. Guggenheim Museum, Abeville Publishers, 1986. 638p.: il, retrs., p. 457.
KOVTUN, Y. (Introd., documentary material and annotation); BOWLT, J. (Foreword.). The Russian Avant-Garde in the 1920-1930s: Painting. Graphics, Sculpture, Decorative arts from the Russian Museum in St. Petersburg. Bournemouth: Parkstone Publishers. St. Petersburg: Aurora Art Publishers, 1996, 175p.: il., algumas color., p. 253.
CATÁLOGO. MILNER, J. Arte, Guerra y Revolucion. Apud La Vanguardia Rusa, 1905-1925, en las colecciones de los Museos Rusos. Madrid: Fundación Central Hispano, Fondación ELF, 1993. 295p.: il., color., p. 49.
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Sunday, July 6, 2014
BIOGRAFIA: EISENSTEIN, Sergey Mikhailovich (1898-1948).
BIOGRAFIA: EISENSTEIN, Sergey Mikhailovich (1898-1948).
O cineasta russo conhecido e admirado internacionalmente, nasceu em Riga e morreu em Moscou. Eisenstein se formou em engenharia, no Instituto de Engenharia Civil (Petrogrado). Durante alguns meses Eisenstein acompanhou as aulas de Lev Kuleschov (1895-1960), conforme citou ALBERA (2002: 159), que enfatizou que o futuro cineasta emancipou-se rapidamente de seus primeiros mestres, V. Meyerhold (1874-1940) e depois, L. Kuleschov. A sua amizade com Sergei Tretyakov (1892-1939), não o fez assinar os manifestos do Grupo da Frente Esquerdista das Artes [LEF] (v.), nem apoiar as posições deste e de outros grupos de vanguarda ou de pesquisa.
Eisenstein trabalhou como diretor de cena para a peça O Mexicano (1921), de Jack London (1876-1916), dirigida por ele juntamente com V. S. Smyaljaev; no mesmo ano ele trabalhou como assistente de direção junto com V. V. Tichinovich em Macbeth, de William Shakespeare (batizado em 1583-1616). Eisenstein continuou seus estudos no GVIRM - Laboratório Superior Estatal de Regência, sob a orientação de Vsevolod Meyerhold.
Eisenstein trabalhou no Ateliê Mastfor de Nicolai Foregger (1862-1939), durante quase dois anos (1922-1923); ele foi diretor cênico junto com Nikolay Foregger na encenação da ópera bufa Amar o Cavalo, de Vladimir Mayakovsky (1893-1930), encenada no Teatro da Opera Cômica de Moscou (1922). Eisenstein assumiu, juntamente com Sergey Tretyakov, o Teatro Ambulante [PERETRU] da Organização Proletária para a Cultura e Instrução [PROLETKULT] (1923), quando ele produziu seu primeiro curta-metragem silencioso, O Diário de Glumov. Eisenstein apresentou o filme inserido na montagem da peça O Sabichão, de Alexander Nicolaevich Ostrovsky (1823-1886). Este filme levou S. Eisenstein a divulgar seu primeiro manifesto A Montagem de Atrações, publicado no terceiro número da revista Lef (1923). De acôrdo com ALBERA (2002: 158-159), esse ato marcou a separação de Eisenstein de certos autores e diretores do PROLETKULT, como Smychlaiev e Pletniev, e sua aproximação com o Grupo da Frente Esquerdista das Artes [LEF], quando ele citou Bóris Arbatov (1896-1940), Sergey Tretyakov e Aleksandr Rodchenko (1891-1956), que participavam do grupo LEF.
Eisenstein tornou-se diretor dos Laboratorios T.E.A. - PROLETKULT – PERETRU ou Companhia Operística Itinerante (1923-1924). A última peça que Eisenstein montou com Tretyakov foi Máscaras de Gás (fev., 1924). Eisenstein trocou o teatro pelo cinema; ele foi um dos precursores do cinema, e um dos primeiros cineastas russos do moderno cinema pensado enquanto forma de arte e expressão individual voltada para a coletividade. O cineasta, que recebeu lições de montagem de Esfir Shub (1894-1959), condensou e reestruturou dois episódios do filme Dr. Mabuse (v. Cinema Expressionista Alemão) de Fritz Lang (Friedrich Anton Christian Lang, 1890-1976), rebatizado de A Podridão Dourada (mar., 1924). No mês seguinte, Eisenstein foi autorizado a filmar para o GOSKINO, com o apoio do PROLETKULKT, um ciclo de 07 filmes na série Rumo à Ditadura, que, supostamente, consagrariam as lutas sociais e políticas russas antes de 1917. Somente o quinto episódio, A Greve, foi realizado, pois nesse momento ocorreu a ruptura de Eisenstein com o PROLETKULT. Enquanto terminava a montagem de A Greve, Eisenstein escreveu seu primeiro artigo sobre cinema para o livro Cinema Hoje, que Alexandre Belenson (1895-1949) preparava, para o qual Lev Kuleschov e Dziga Vertov (Denis Arcadievich, 1896-1954) foram igualmente convidados a colaborar. Esse artigo de Eisenstein, A Montagem das Atrações no Cinema, foi censurado (out., 1924). No ano seguinte a coletânea de A. Belenson foi publicada na URSS; o texto de Eisenstein somente foi publicado na íntegra muitas décadas depois (in BELENSON, A. Selected Works. Vol. 01, Writtings, 1922-34. London, 1988). Nesse texto, Eisenstein discutiu as escolhas de D. Vertov e de L. Kuleschov nos filmes: ele citou o conceito Construtivista Vechtch (traduzido como Vecism, ou coisismo), na revista Vechtch, publicada por Ilya Ehrenbourg (1891-1967) e traduzida em três idiomas. No seu artigo Eisenstein discorreu sobre montagem Futurista e construção cinematográfica, reinvindicando a manutenção da ficção e da arte, recusando o fetichismo do material, na provável resposta ao poderoso burocrata Osip Brik (1888-1945) e Dziga Vertov, do Grupo da Frente Esquerdista das Artes [LEF], que publicou a revista Lef (v. revistas detalhadas, Lef e Novy Lef; v. manifestos de Eisenstein).
Essas teorias de Eisenstein foram confrontadas com as teorias de cineastas mais velhos, como Lev Kuleschov, que considerava a montagem do filme como o meio de trazer para a compreensão do espectador aquilo que o cinema descrevia. Na época os diretores cinematográficos montavam os episódios filmados, as suas tomadas (shots), de modo individual, como blocos de construção, uns sobre os outros. A crítica de Eisenstein à técnica de montagem de Kuleschov foi depois amenizada por correções realizadas por ele nos seus próprios manuscritos, nos quais, no seu texto sobre cinema, ele citou a nomenclatura em inglês, usando palavras técnicas como colar (to stick), colocar, juntar (to put) e dar lugar, colocar no lugar, substituir (to place).
Eisenstein participou do grupo multidisciplinar Outubro (1928-1929), de orientação Produtivista e Construtivista que reuniu, fotógrafos, cineastas, escritores e artistas plásticos, entre outros. O grupo organizou uma exposição (1930), lançou dois manifestos (1928; 1932) Foi de autoria de Eisenstein um dos mais famosos filmes da primeira metade do seculo XX: O Encouracado Potemkim [Bronenosets Potemkim, 1930, U.R.S.S., 74’), com a inesquecível cena da matança dos marinheiros revoltosos nas escadarias de Odessa.
Eisenstein filmou varias de suas películas no México, na época em que muitos intelectuais e dissidentes russos, inclusive Léon Trotsky se refugiaram nesse pais para fugir das perseguições políticas movidas pelo endurecimento do regime totalitario na U.R.S.S.. Um dos filmes dessa época foi o nunca concluido E Viva Zapata! (México, 1932). Obras de Eisenstein participaram de várias mostras internacionais de cenografia como Artistas do Teatro Soviético dos Últimos Dezessete anos, 1917-1934, itinerante à Moscou e Leningrado (1935-1936); da mostra Paris - Moscou, 1900–1930 (Paris, 1979); Os Pintores e o Teatro no Século XX, itinerante à Frankfurt e Avignon (1986); Noites de Dezembro (Moscou, 1988); Arte Russa e Soviética, 1887–1930 (Turim, 1989); A Vanguarda Teatral Russa, (Amsterdã, 1989).
REFERÊNCIAS SELECIONADAS:
ALBERA, F. Eisenstein e o construtivismo russo - A dramaturgia da forma em "Stuttgart". Tradução de Eloisa Araújo Ribeiro. São Paulo: Cosac e Naify, 2002, pp 20, 21,158-159.
CATÁLOGO. ATTI, F. C. degli; FERRETTI, Daniela (Org.). Rusia, 1900-1930, L'Arte della Scenna. Milano: Galeria Electa. Moscou: Museu Bachrusín, 1990, p. 170.
EISENSTEIN, S.; MARSHALL, H. (Pref.). Memórias imorais: uma autobiografia. Tradução de Carlos E. M. de Moura. São Paulo: Herbert Marshall, Companhia das Letras, 1987, p. 100.
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INTERNET. Nikolai Ostrovsky. From Wikipedia, the free encyclopedia. This page was last modified on 31 May 2014 at 20:34. Retrieved from:
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Friday, June 27, 2014
BIOGRAFIA: BERLEWI, Henryk (1894-1967).
BIOGRAFIA: BERLEWI, Henryk (1894-1967).
Nasceu em Varsóvia e morreu em Paris, onde viveu (1928-). Artista Construtivista polonês, Berlewi foi um dos pioneiros da vanguarda no país. Berlewi estudou na Escola de Belas Artes (Varsóvia), e na França (Anvers, 1909-1910) e Paris (1911-1912). O artista foi influenciado pela obra de Paul Cézanne (1839-1906); ele viajou para Berlim, onde conheceu as vanguardas Construtivistas russas e alemãs, com El Lissitzky (1890-1941), Theo van Doesburg (1882-1931), Viking Eggeling (1880-1925) e Hans Richter (1888-1976). Berlewi expôs suas pinturas em Berlim, junto com os artistas do Novembergruppe [Grupo Novembro] (1918-1921), liderado por Rudolf Schlicher (1890-1955). Esse grupo foi influenciado pelos movimentos do Construtivismo soviético do Neo-Plasticismo do holandês Piet Mondrian (1872-1944) e de Théo van Doesburg.
Berlewi elaborou seu proprio manifesto, Mecano-Faktur, assinado com Théo van Doesburg e publicado em Varsóvia (Polônia, 1924). Berlewi expôs na Galeria da Tempestade [Der Sturm], de Herwarth Walden, na mostra individual Construtivismo Mecano-Fatura [Mechano-Faktur Gestaltungen] (Berlim, 1924). Essa exposição repercutiu no país natal de Berlewi, e influenciou as vanguardas polonesas. A obra de Berlewi, Construção Mecano-Fatura [Mecanofacture-construction] (1924. guache/ papel, no acervo do Museu de Lodz, Polônia), bem como a fotografia da mostra Mecano-Fatura, que incluiu automóvel, se encontram reproduzidas (RAGON, 1992).
REFERÊNCIAS SELECIONADAS:
DICIONÁRIO. DUROZOI, G. Dictionaire de l'art moderne et contemporain. Sous la direction de Gérard Durozoi. Paris: Fernand Hazam, 1992. 676p.: Il, p. 66.
DICIONÁRIO. SEUPHOR, M. Dictionaire de la peinture abstraite: precédé d´une histoire de la peinture. Paris: Fernand Hazam, 1957. 305p.: il., p. 131. 21.5 x 15 cm.
RAGON, M. Journal de l´Art Abstrait. Genève: Skira, 1992. 163p: il. p. 36.
1907-1912-GRUPO (TCHECO DOS) OITO [OSMA] (Praga).
GRUPO (TCHECO DOS) OITO [OSMA] (Praga, 1907-1912).
Destaques: KUBIN, Ottakar, Bohumil KUBISTA e Emil FILLA.
O Grupo dos Oito artistas das vanguardas tchecas, recebeu grande influência do movimento do Cubismo francês. Entre os mais destacados artistas, além de Bohumil Kubišta e Emil Filla, Antonin Prochaszka, Otto Freundlich, Otto Gutfreund, Vincenc Benes e Josef Capek. O grupo expôs as obras dos oito artistas na primeira mostra coletiva (Praga, 1907); e tornou-se bem ativo durante o período de quatro anos.
A Associação de Belas Artes Mánes [SVU Mánes] (v.) apresentou o destacado artista estrangeiro, Edvard Munch, a Praga, na exposição que chocou e provocou imenso impacto no futuro desenvolvimento das artes das vanguardas tchecas (1905-). As comunidades artísticas se dividiram, e se enfrentaram em campos hostís, quando os oito estudantes de arte tchecos formaram do Grupo (Tcheco dos) Oito [Osma] (Praga, 1907-1910), que, na epoca consideraram o Grupo da Associação de Belas Artes Mánes demasiado provinciano. O único crítico de arte que ousou analizar a polêmica provocada pela arte de Munch foi F. X. Šalda, que comparou a controversia do impacto provocado a dualidade dos conflitos individuais no mundo. Ao impacto da obra de Munch, Filla produziu Leitor de Dostoievsky (1907); e Kubista pintou Noite de Amor (1908). O artista do Grupo da Associação de Belas Artes Mánes, Jan Preisler, pintou Mulher no Lago, influenciado por Munch: no entanto, depois de receber críticas devastadoras, abandonou o novo estilo Expressionista. As críticas ácidas recebidas por Preisler deixaram os artistas do Grupo (Tcheco dos) Oito ainda mais revoltados.
As vanguardas francesas do Cubismo (v.), influenciaram as vanguardas do Grupo (Tcheco dos) Oito: foram nitidamente influenciados Emil Filla e Otto Gutfreund, que estudou escultura em Paris (1909-1910), onde foi aluno de Antoine Bourdelle. Gutrfreund entrou em contacto com as obras cubistas de Picasso e Braque, os quais o influenciaram. O artista tornou-se o mais destacado escultor tcheco cubista, quando asociou-se ao Grupo Osma (Praga, 1911). Gutfreund utilizou os princípios do Cubismo Analítico nas formas tridimensionais. Inspirado pela obra escultórica de Picasso (Fernande, 1909), sua obra também penetrou na forma física fechada da massa, deformando a matéria de dentro para fora, com a visão Abstrata e complexa de sua expressão espiritual, realizando no espaço o que Picasso fez na sua obra pictórica no plano.
REFERÊNCIAS SELECIONADAS:
CATÁLOGO. HULTEN, P. (ORG.); JUANPERE, J.A.; ASANO, T.; CACCIARI, M.; CALVESI, M.; CARAMEL, L; CAUMONT, J; CELANT, G; COHEN, E.; CORK, R.;CRISPOLTI, E.; FELICE, R; DE MARIA, L.; DI MILLIA, G.; FABRIS, A.; FAUCGEREAU, S.; GOUGH-COOPER, J.; GREGOTTI, V.; LEVIN, G.; LEWISON, J.; MAFFINA, F.; MENNA, F.; ÁCINI, P.; RONDOLINO, G; RUDENSTINE, A.; SALARIS, C.; SILK, G.; SMEJKAI, F.; STRADA, V.; VERDONE, M.; ZADORA, S. Futurism and Futurisms. New York: Solomon R. Guggenheim Museum, Abeville Publishers, 1986. 638p.: il, retrs., pp. 434-435.
DICIONÁRIO.DICIONÁRIO. DUROZOI, G. Dictionaire de l'art moderne et contemporain. Sous la direction de Gérard Durozoi. Paris: Fernand Hazam, 1992. 676p.: Il, p. 468.
ENCICLOPÉDIA. CASSOU, J.; BRUNEL, P.; CLAUDON, F; PILLEMONT, G.; RICHARD, L. (Col.). Petite Encyclopedie du Symbolisme: Peinture, Gravure et Sculpture, Littérature, Musique. Paris: Somogy, 1988, il., p. 269.
Tuesday, June 10, 2014
BIOGRAFIA: STANISLAVSKY, Konstantin; Konstantin Sergeievich Alexeiev (1863-1938).
BIOGRAFIA: STANISLAVSKY, Konstantin; Konstantin Sergeievich Alexeiev (1863-1938).
O revolucionário diretor teatral nasceu e morreu em Moscou (Rússia). Stanislavsky descendia do inventor de um sistema especial de tecelagem com fios de ouro, que produzia tecidos usados pela nobreza russa, invenção que, durante cinco gerações permitiu o enriquecimento de sua família, que se tornou proprietária de industrias do ramo têxtil.
Stanislavsky desde o liceu se interessou pelo teatro, atuando como ator em algumas peças: o artista foi admitido na Escola do Teatro Imperial (1885), mas não suportou a formalidade do ensino e abandonou o curso em poucas semanas. O artista passou a trabalhar nos escritórios da indústria têxtil de sua família e passou a fazer frequentes visitas à cidade de Lyon (França). Nessa cidade francesa, ativo centro da indústria têxtil, produtor de tecidos de altíssimo luxo como sedas e brocados, Stanislavsky passou a frequentar os teatros. O jovem sentiu nascer sua vocação, o que deu-lhe a idéia de ingressar no Conservatório de Paris, que, no entanto, não admitia alunos estrangeiros. Stanislavsky freqüentou-o como aluno ouvinte livre, mas também ficou decepcionado com a formalidade do ensino. O futuro ator e diretor cênico voltou à Rússia, onde logo estreou como diretor teatral na peça de autoria de Léon Tolstoi (Lev Nicolaevich Tolstoi, 1828-1910), Os Frutos da Instrução (1891).
Na época que começou a atuar Konstantin adotou o pseudônimo de Stanislavsky: ele fundou, juntamente com o escritor Vladimir Nemirovich-Danchenko (1858-1943), o MChAT - Teatro de Arte de Moscou, responsável por promover o renascimento da cena teatral russa (1898-). O repertório escolhido pelo diretor foi internacional, beneficiou a temática do Realismo Social de autores como Máximo Gorki (1868-1936), que escreveu 20 peças e estreou no MChAT com produções como As Profundezas e Os Filistinos (1902). No Teatro de Arte de Moscou, foi encenada A Vida do Homem, de Leonid Andreyev (1879-1919); e o MChAT revelou Anton Tchekov (1860-1904), de quem produziu as peças Tio Vanya (1899), As três Irmãs (1901) e O Pomar das Cerejeiras (1904), além de, no mesmo ano encenar Júlio César, de William Shakespeare (Batizado, 1583-1616); e peças como Drama da Vida, de autores nórdicos como Knut Hamsun (1859-1952) e O Pássaro Azul (1908), do belga Maurice de Maeterlinck (1862-1949). Stanislavsky recebeu a classificação de Realista, mas nem sempre o foi: na encenação da peça de Maeterlinck, com cenários pintados por Egorov, o diretor traduziu o movimento do Simbolismo poético no sentido da mais sedutora irrealidade.
Stanislavsky desenvolveu seu método diferenciado de formação do ator, até hoje conhecido como o Método Stanislavsky, que introduziu o ator no cenário da vida real, ensinando-lhe a comportar-se em cena como um ser vivo, e não mero copista de modos e atitudes comportamentais exteriorizadas. O método de Stanislavsky baseou-se em três elementos principais: o mais profundo respeito pelas intenções do autor; o treinamento rigoroso dos atores na análise e expressão do caráter do personagem, da forma mais verdadeira possível; e a subordinação da performance individual de cada ator integrado ao conjunto da obra teatral. O seu método foi amplamente utilizado no ensino da arte de representar dos atores das vanguardas, tanto do teatro como do cinema internacionale ajudou a formar várias gerações de atores e atrizes destacados no século XX.
Stanislavsky fundou com Meyerhold (Vsevolod Emilovich Meyerhold, Karl Theodor Kasimir Meiergold, 1874-1942), o Teatro-Estúdio (1905), no anexo ao MChAT, que se transformou no verdadeiro laboratório de ensino e de criação teatral, formando excelentes atores. No entanto, Stanislavsky e Meyerhold divergiram, e, no mesmo ano esse estúdio experimental fechou. O Teatro de Arte de Moscou continuou ainda ativo durante alguns anos, com a reputação de ser voltado para a representação completa dos estados de alma, onde todos os elementos, desde a decoração dos cenários aos figurinos até a atuação dos atores, mergulhavam em uníssono no mesmo compasso, na mais completa harmonia.
Na era de Iósif Stalin, Stanislavsky, bem como Meyerhold, cairam em desgraça. No seu leito de morte Stanislavsky reconheceu Meyerhold como o único merecedor de ser seu legítimo herdeiro na arte teatral, assegurando seus ensinamentos para a posteridade. Grandes ensinamentos de Stanislavsky foram publicados no livro que se encontra traduzido (STANISLAVSKI, C.; LOGAN, J. (Pref.) A Construção da Personagem. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1976).
REFERÊNCIAS SELECIONADAS:
ENCICLOPÉDIA. CASSOU, J.; BRUNEL, P.; CLAUDON, F; PILLEMONT, G.; RICHARD, L. (Col.). Petite Encyclopedie du Symbolisme: Peinture, Gravure et Sculpture, Littérature, Musique. Paris: Somogy, 1988, pp. 271-272.
ENCICLOPÉDIA. FENNELL, J.; KASER, M.; WILLETS, H. T. The Cambridge Encyclopedia of Russia and The Soviet Union. Cambridge: Cambridge University Press, 1982, pp. 243-244.
Saturday, June 7, 2014
BIOGRAFIA: KAKABADZE, David Nesterovitch (1890-1952).
BIOGRAFIA: KAKABADZE, David Nesterovitch (1890-1952).
O artista plástico georgiano de múltiplos talentos, foi multidisciplinar: artista gráfico, cenógrafo teatral, desenhista, educador, fotógrafo amador, pintor, professor e inventor do cinema tridimensional. Kakabadze nasceu em família de camponeses pobres, na cidade de Kukhi, no estado russo da Geórgia. O artista foi patrocinado por um filantropo de sua terra natal e se formou em Ciências Naturais na Universidade de São Petersburgo (1916). Kakabadze realizou a pesquisa nas artes georgianas, nas quais se tornou um especialista, e, ao mesmo tempo cursou Pintura no estúdio de Dmitroyev-Kavkazsky. Kakabadze passou breve período como professor, educador e pintor em Tiflis (hoje Tiblisi, Geórgia).
Kakabadze se tornou professor de Ciências Naturais em São Petersburgo. Na época o artista se associou a fase inicial da arte das vanguardas russas e participou do Grupo dos Mestres da Arte Analítica [MAA] (v.), formado em torno de Pavel Filonov. Kakabadze assinou o manifesto O acabamento dos quadros manifesto do ateliê íntimo de desenho e pintura (São Petersburgo, mar., 1914). Kakabadze viajou para a França, onde viveu muitos anos (1919-1926): ele expôs regularmente no Salão dos Artistas Independentes. Kakabadze, que atuou na arte das vanguardas francesas, expôs em mostras conjuntas com outros georgianos, como Lado Gudiashvili (1896-1980), artista posteriormente associado ao Surrealismo; e Shalva Kikodze (1894-1921).
Nesse primeiro período de sua obra as pinturas mais destacadas de Kakabadze foram as paisagens da província de Imereti, sua região natal. Durante os anos que viveu em Paris Kakabadze foi atraído pelo que chamou de Pintura Subjetiva: o artista dedicou-se à aprender a técnica da colagem, usando ocasionalmente nas obras pictóricas colagens de espelhos, metal, entre outros materiais como vidro colorido de vitral associados à tinta. Na verdade esse desenvolvimento pessoal da Colagem do Cubismo (v.), escola pela qual o georgiano foi influenciado. Em meados da década de 1920 Kakabadze rejeitou essa influência e passou a se dedicar à Pintura e Escultura Abstrata. Nas suas obras Kakabadze combiunou interpretações pessoais da arte da vanguarda européia com a tradição nacional georgiana; o artista pintou paisagens decorativas monumentais, inclusive industriais. Depois que voltou a viver na Geórgia (1927-), Kakabadze se tornou professor da Academia de Belas Artes (1928-1948). No começo da década de 1930 o artista colaborou com o conhecido diretor teatral Kote Marianishvili, e criou muitos cenários teatrais para o Teatro Marianishvili (Kutaisi, Geórgia).
No seu período parisiense Kakabadze proferiu palestras e se interessou pela Arte Cinética (v.), presente nas vanguardas francesas através das pesquisas de Marcel Duchamp. Kakabadze construiu a câmera cinematográfica que produzia e ilusão de relevo: com este artefato o artista se tornou um dos pioneiros do cinema tridimensional (Paris, 1923). Posteriormente Kakabadze produziu o documentário Os Antigos Monumentos da Georgia (1931).
Várias obras vanguardistas de David Kakabadze pertencem ao acervo do Museu de Tiflis; algumas de suas obras foram adquiridas pela Sociedade Anônima (v.) organizada por Katherine Dreier, pinturas que pertencem aos acervos de museus norte-americanos.
REFERÊNCIAS SELECIONADAS:
SEUPHOR, M. Dictionaire de la peinture abstraite: precédé d´une histoire de la peinture. Paris: Fernand Hazam, 1957, p. 295. 305p.: il.
INTERNET. David Kakabadze. From Wikipedia, the free encyclopedia. 01 maio, 2009. Disponível: <http://en.wikipedia.org/wiki/David_Kakabadze> Acesso: 11 nov., 2009.
Friday, June 6, 2014
BIOGRAFIA: BORRISOV-MUSATOV, Victor; Gregory Ylytch Borrisov-Musatov (1899-1937).
BIOGRAFIA: BORRISOV-MUSATOV, Victor; Gregory Ylytch Borrisov-Musatov (1899-1937).
Borrisov-Musatov nasceu em Saratov, na Rússia, mas estudou em Paris: no início suas obras expressaram a influência do Simbolismo. O artista apresentou temperamento sonhador: ele pintou paisagens, retratos e figuras de personagens em poses lânguidas, inspiradas no século XVIII. Borisov-Musatov tornou-se bastante conhecido (1904-1905) na França e Alemanha e tornou-se influente sobre as obras dos artistas vanguardistas russos do início do século XX, associados ao Grupo da Rosa Azul (Alaya Rosa; 1907-1910,v.).
Após a Revolução Russa Borrisov-Musatov tornou-se membro da OBMOKhU - Sociedade dos Jovens Artistas: ele transformou-se em artista extremamente vanguardista, Nesta fase, com ênfase no período do Construtivismo russo, o artista estudou nas VKhUTEMAS -Ateliês Superiores de Arte e Técnica (1921-1924). Borrisov-Musatov tornou-se especialmente conhecido por seus cartazes para a nascente indústria cinematografica soviética. Borrisov-Musatov participou com obras nas Artes Gráficas, em instalação conjunta com Bóris Prussakov, na mostra coletiva internacional Imprensa (Pressa, em Colônia, Alemanha, 1928). Esta foi a mais importante mostra internacional de Artes Gráficas realizada na década de 1920.
REFERÊNCIAS SELECIONADAS:
DICIONÁRIO. CHILVERS, I. The Concise Oxford Dictionary of Art and Artists. Edited by Ian Chilvers. Oxford: Oxford University Press, 1990. 517p., p. 86. (Oxford reference).
LECLANCHE-BOULÉ, C. Le Construtivisme Russe: typographies et photomontages. Documentation Marc Martin-Malburet. Paris: Flammarion, 1991. 173p.: il., retrs., p. 150.
Tuesday, June 3, 2014
BIOGRAFIA: KALMAKOV, Nikolay Konstantinovich (1873-1955).
BIOGRAFIA: KALMAKOV, Nikolay Konstantinovich (1873-1955).
O artista plástico multimídia N. K. Kalmakov foi pintor, artista gráfico, cenógrafo e figurinista: ele nasceu em Nervi (Rússia) e faleceu em Chelles (França). O artista estudou Direito na Universidade de São Petersburgo. No início do século XX, Kalmakov se associou ao Grupo (Russo - -Soviético) Mundo da Arte [Mir Iskusstva] (1889-1924) (v.), associação de artistas plásticos organizada por Sergey Diaghilev (1872-1929). O grupo promoveu mostra coletiva anual; obras de Kalmakov participaram de várias exposições (São Petersburgo, 1903-1911).
Kalmakov se tornou cenógrafo teatral e colaborador do pequeno teatro pertencente à atriz Vera Komissarzhevskaia (1864-1910), frequentado pelas vanguardas artísticas, principalmente pelos artistas do grupo citado. Foram encenados alguns dramas, como Máscara Negra (1908), de L. N. Andreyev sob a direção de A. P. Zonov e de F. F. Komissarzhevsky, pai de Vera, que estreou com cenografia e figurinos de Kalmakov. O artista também criou a cenografia e figurinos para a peça censurada no exterior, Salomé, de autoria do escritor inglês Oscar Wilde (1854-1900), sendo que a encenação russa suscitou vivos protestos por parte da sociedade conservadora e das autoridades eclesiásticas (São Petersburgo, 1908). Essa mesma peça, que estreou com o autor no papel de Salomé, foi encenada anos mais tarde no Teatro de Câmara [Kamerny] (1917), de Alexandre Tairov (1885-1950), com cenografia e figurinos revolucionários de Aleksandra Ekster (1882-1949). Kalmakov foi o cenógrafo e figurinista de Anátema [Anafema] (1909),de autoria de L. N. Andreyev.
Na década de 1920 Kalmakov emigrou para a França: apesar de ter participado do grupo russo de S. P. Diaghilev, empresário organizador dos Balés Russos (Paris, 1909-1929), ele não realizou nenhuma cenografia para a companhia, como vários outros artistas participantes do Mundo da Arte.
REFERÊNCIAS SELECIONADAS:
BOWLT, J. Russian Art of The Avant-Garde: Theory and Criticism, 1902-1934. London: Thames & Hudson, 1976. 1988, pp. 240-243.
CATÁLOGO. ATTI, F. C. degli; FERRETTI, Daniela (Org.). Rusia, 1900-1930, L'Arte della Scenna. Milano: Galeria Electa. Moscou: Museu Bachrusín, 1990, pp. 17-18, 90.
KOVTUN, Y. (Introd., documentary material and annotation); BOWLT, J. (Foreword.). The Russian Avant-Garde in the 1920-1930s: Painting. Graphics, Sculpture, Decorative arts from the Russian Museum in St. Petersburg. Bournemouth: Parkstone Publishers. St. Petersburg: Aurora Art Publishers, 1996, 175p.: il., algumas color., p. 250.
INTERNET. Russian Art and Books. © Helix Art Center 2009 powered by bibliopolis terms, Imperial, Soviet and Emigrant Paintings. Personalia. Pages 01-26. Disponível: <http://www.russianartandbooks.com/cgi-bin/russianart/view/Information.html> Acesso: 15 nov., 2009.
BIOGRAFIA: KUZNETSOV, Pavel Varfolomeevich (1878-1968).
BIOGRAFIA: KUZNETSOV, Pavel Varfolomeevich (1878-1968).
O arquiteto, artista plástico, cenógrafo e figurinista, nasceu em Saratov (Armênia) e faleceu em Moscou (Rússia). Kusnetsov estudou inicialmente no SOL II - Estúdio da Associação dos Amantes das Belas Artes de Saratov, onde ele foi aluno de V. V. Konovalov e de G. P. Salvin-Baraki. O artista também estudou com os destacados pintores do Grupo dos Itinerantes, Abram Efimovich Archipov (1862-1930), Nikolay Aleseyevich Kasatkin (1859-1930), Konstantin Alekseyevich Korovin (1861-1939), Leonid Osipovich Pasternak (1862-1945), Kuzma Sergeevich Petrov-Vodkin (1879-1939) e Valentin Aleksandrovich Serov (1865-1911), professores no Instituto de de Pintura, Escultura e Arquitetura (Moscou, 1897-1904).
Kuznetsov viveu em Paris, quando estudou na Academia Colarossi, entre outros ateliês (1904-1906). Voltando à terra natal, Kusnetsov foi o organizador da primeira mostra do Grupo da Rosa Azul (Saratov, 1904) e, depois, da primeira mostra do Grupo da Rosa Escarlate (Moscou, 1907; v.), ambos bem representativos do Simbolismo russo e da presença dos artistas armênios nas vanguardas moscovitas.
Nas suas obras Kuznetsov adotou como temas principais as Naturezas-Mortas e as Paisagens, mas ele também pintou cenas históricas monumentais e produziu ilustrações para vários livros. Kuznetsov, cuja obra recebeu a influência das pinturas de Paul Gauguin (1848-1903), tornou-se artista destacado e influente nas vanguardas russas: ele foi um dos únicos artistas russos convidados para participar do júri de vários salões franceses, como do Salão de Outono, quando Kusnetsov fez frequentes viagens à França (1910-). Kusnetsov visitou a Inglaterra; ele viajou pelas estepes russas, ao longo do rio Volga, até a cidade de Bukara (1911-1913): ele voltou a viver em Moscou, onde suas obras participaram das mostras do Velo de Ouro, grupo que publicou a revista homônina de arte e organizou três exposições, sendo que, nas duas primeiras, convidaram artistas destacados nas vanguardas francesas (1907-1910; v.).
Desde o início do século Kusnetsov participou do Mundo da Arte (1889-1924; v.): essa associação de artistas, organizada por Sergei P. Diaghilev e Léon Bakst, organizou mostras anuais, nas quais participaram obras do artista (1911-1924). Kuznetsov foi um dos fundadores e presidiu a associação de artistas As Quatro Artes (1924-1931), bem como a União dos Pintores Russos (Moscou). O artista foi professor do Instituto de Pintura, Escultura e Arquitetura e dos Ateliês Livres Estatais [SVOMAS] (Moscou, 1924-1926); posteriormente, Kuznetsov foi professor do Instituto de Belas Artes (1937) e da Escola Superior de Arte Industrial (1945-1948).
Desde a época da I Guerra Mundial, Kuznetsov trabalhou para os teatros moscovitas, inclusive para o Teatro de Câmara, para o qual ele criou cenografia e figurinos para a peça Sakuntala (1914), autoria de Di Kalidasa, encenada sob a direção de de Alexandre Tairov. O artista foi cenógrafo de vários espetáculos do Circo Estatal, para o qual ele encenou Carrossel Revolucionário [Revoliucionnaia karusel] (Moscou, 1920). As obras cenográficas de Pavel Kuznetsov participaram de inúmeras mostras póstumas como a Paris-Moscou, 1900-1930 (Paris, 1979); e a Moscou-Paris, 1900-1930 (Moscou, 1981); da Arte Figurativa Russa e Soviética (Japão, 1982); Os Pintores e o Teatro no Século XX (Frankfurt, Alemanha; Avignon, França, 1986); da Arte e Revolução (Budapeste, 1987) e da Arte Cenográfica, Rússia 1900-1930 [L'Arte della Scena, Rusia 1900-1930], realizada na Galeria Electa (Milão, 1990). Todas as mostras citadas publicaram catálogo. PavelKusnetsov foi considerado Personalidade Emérita das Artes Russas:e expôs suas obras em várias mostras individuais.
REFERÊNCIAS SELECIONADAS:
ATTI & FERRETTI, 1990, p. 124.
CASSOU, 1988, pp. 93-94.
INTERNET. Russian Art and Books. © Helix Art Center 2009 powered by bibliopolis terms, Imperial, Soviet and Emigrant Paintings.
Personalia. Pages 01-26. Disponível em: http://www.russianartandbooks.com/cgi-bin/russianart/view/Information.html
Acesso em 15 nov., 2009.
IOVLEVA, 1987, p. 187.
1907-1910- GRUPO (MULTIDISCIPLINAR RUSSO) DA ROSA AZUL.
GRUPO (MULTIDISCIPLINAR RUSSO) DA ROSA AZUL
[GOLUBAYA ROZA] (Moscou, 1907-1910).
Destaques: SARIAN, Martiros, Victor BORRISOV-MUSATOV e Georgy YACULOV.
O Grupo da Rosa Azul promoveu o estilo associado ao Simbolismo russo, mais próximo da Arte Nova [Art Nouveau]. Esse grupo se originou no Grupo da Rosa Escarlate [Alaya Roza] (Saratov, Armênia, Rússia, c. 1904-1907; v.). Azul foi considerada a cor mística, cor do céu, do mar e do espaço sideral, conciliando com a interpretação poética, sonhadora, esperançosa e espiritualizada.
Foram Pavel Kusnetsov (1878-1968) e Piotr Utkin (1877-1934) que organizaram a única exposição do Grupo da Rosa Azul. Nikolay Pavlovich Riabuszhynsky (1876-1951), rico colecionador de obras de pintores medievais como Lucas Cranach, Pietr Bruegel e Nicolas Poussin, editor da revista do Velo de Ouro [Zolotoye Runo] (Moscou, 1907-1909), patrocinou essa mostra coletiva que reuniu as obras das vanguardas francesas, de artistas como Georges Braque (1882-1963), André Derain (1880-1954), Henri Marquet (
e Henri Matisse (1869-1954), reunidos às obras do Grupo da Rosa Azul (Moscou, 18 mar., 1907).
Participaram obras dos organizadores e de Anatoly Arapov (1876-1949), Vasily Ivanovich Denisov (1862-1982), Vladimir Drittenprejs (1878-1917), Artur Vladimirovich Fonvizin (1883-1973), Ivan Adolfovich Knabe (1879-1910), Nikolay Petrovich Krymov (1884-1958), Bóris Kustodiev (1878-1927), os irmãos Milioti, Nikolay (1874-1962) e Vasily (1875-1943), Nikolay Petrovich Feofilaktov (1878-1941), conhecido como o “Beardsley Moscovita”; Martiros Sergeyevich Sariyan (1880-1972) e Georgy Yaculov (1884-1928), além das obras de convidados especiais, como as do professor das vanguardas russas Mikhail Vrubel (1856-1910), do organizador do Grupo da Rosa Escarlate recentemente falecido, Victor Borrisov-Mussatov (1870-1905), de Sergey Sudeikin (1882-1946), de Nicolai Sapunov (1880-1912) e dos escultores Peter Ignatievich Bromirsky (1886-1919\20) e Aleksandr Matveev (1878-1960). Participaram poetas como Andrei Bely (Bóris Nikolaevich Bugaev, 1880-1934), Valery Bryusov (1873-1924) e Konstantin Dmitrievich Balmont (1867-1942), entre outros. Obras dos artistas do Grupo (Russo) da Rosa Azul participaram da única mostra do Grupo (Russo) Trigo - Corôa [Venok-Stefanos] (São Petersburgo, 1909). Posteriormente foi organizada a mostra Mestres da Rosa Azul (Moscou, 1925). No mesmo ano as obras de Yaculov participaram da Exposição Internacional das Artes Decorativas e Modernas, conhecida como Exposição Universal (Paris, 1925). O Museu Pushkin realizou a mostra retrospectiva das obras do Grupo (Russo) da Rosa Azul (Moscou, 1999).
REFERÊNCIAS SELECIONADAS:
CATÁLOGO. KRENS, T.; GOVAN, M.; GUSEV, V.; PETROVA, E.; KOROLEV, I. WEBER, J.; GRASSNER, H.; LODDER, C. La Vanguardia Rusa, 1905-1925 en Las colecciones de los Museos Rusos. Madrid: Fundación Central Hispano, Fondación ELF, 1993. 295p.: il., color., pp. 03, 06, 21.
INTERNET. Aubrey Beardsley. From Wikipedia, the free encyclopedia. 30 jan., 2009. Disponível: Acesso: 04 fev., 2009.
INTERNET. Artur Vladimirovich Fonvizin. From Wikipedia, the free encyclopedia. This page was last modified on 22 March 2013 at 21:09. Retrieved from:
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INTERNET. Golubaya Roza (Moscow, 1907-1910). Bolwt, John E. PhDThesis. Doctoral, University of St. Andrews. Supervisor: Haskell, Larissa S. 1972. Vol. 1, pdf. The ‘Blue Rose’ movement and Russian symbolist painting. Research@StAndrews:FullText> Retrieved in:
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1907-1910-GRUPO (RUSSO) TRIGO [STEFANOS] E GRUPO (RUSSO) TRIGO-CORÔA [VENOK - STEFANOS] (São Petersburgo).
GRUPO (RUSSO) TRIGO [STEFANOS] E GRUPO (RUSSO) TRIGO-CORÔA [VENOK - STEFANOS] (São Petersburgo, 1907-1910).
Esse grupo russo Trigo – Corôa foi organizado por David Burliuk (1882-1967) e promoveu duas mostras, sendo a primeira no Instituto (Russo – Soviético) Central de Arte e Estética Industrial Stroganov (Moscou, 1907, v.). E, a segunda exposição ocorreu em Kherson (1909). Participaram obras de David seu irmão, Nikolay Burliuk (1890-1920), Aleksandra Ekster (1882-1949), Boris Dmitrievich Grigoryev (1886-193), Alexey Karev (1879-1942), entre outros. Foram incluídos os participantes do Grupo da Rosa Azul (v.), como Victor Borisov-Mussatov (1899-1937), Artur Vladimirovich Fonvizin (1883-1973), Pavel Kusnetsov (1878-1968), Boris Kustodiev (1878-1927), o armênio Martiros Sergeyevich Sariyan (1880-1972), o professor das vanguardas russas Mikhail Vrubel (1856-1910) e o georgiano Georgy Yaculov (1884-1928), entre outros. Esse grupo multimidiático publicou a revista bilíngue, Novoye Russkoe Slovo [Nova Palavra Russa] (v. MURATOV, Vystavka Kartin. Venok Stefanos Russkoe Slovo, n.3, 1908 e Venok, n. 08, 1909).
Depois que o Grupo Estefanos se transformou no Grupo Trigo – Corôa [Venok – Stephanos]. David Burliuk (1882-1967) e Alexander Fedorovich Gaush (1873-1949), Sergey Konstantinovih Makovsky (1877-1962), Aristarkh Lentulov (1882-1943) organizaram a mostra desse novo grupo, formado em São Petersburgo. A única exposição ocorreu na residência do conde Stroganov e foi inaugurada em 21 de março (1908). Participaram Boris Israelevich Anisfeld (1878-1973), Peter Ignatievich Bromirsky (1886-1919\20), Sergey Vasilievich Chekhonin (Tchekhonin, 1878-1936), Nikolay Petrovich Feofilaktov (1878-1941) conhecido como o “Beardsley Moscovita”; Artur Vladimirovich Fonvizin (1883-1973), Pavel Kusnetsov (1878-1968), Alexey Erimeevich Karev (1879-1942), Mikhail Fedorovich Larionov (1881-1964), Aleksandr Matveyev (1878-1960), Nikolay Milioti (1874-1962), Aleksander Ilytch Naumov (1899-1928), Martiros Sergeyevich Sariyan (1880-1972), Alexey von Jawlensky (1864-1941) e Piotr Savvih Utkin (1877-1934), entre outros.
No mesmo ano David Burliuk (1882-1967) e Aleksandra Ekster (1882-1949) organizaram, sem muito sucesso, a única mostra do pouco conhecido Grupo (Russo) Ligação [Zueno] (São Petersburgo, novembro, 1908).
Karev participou da Associação de Artistas Mundo da Arte, foi aluno de Mstislav Valerianovich Dobuzhinsky (1875-1957), Nikolay Andreevich Tyrsa (1887-1942) e Vladimir Vasilyevich Lebedev (1891-1967), tendo estudado na Escola Técnica Avançada do Barão Alexander Stieglitz e no VKhUTEMAS - Estúdio Superior de Arte e Técnica (Leningrado (Petrogrado) 1918-1926; na mesma época em Vitebsky, Ucrânia, e outras localidades; em Moscou 1920-1926; v.). Outro participante (1909) foi Artur Vladimirovich Fonvizin (1883-1973), colega e amigo de Mikhail Larionov (1881-1964) no Instituto de Pintura Escultura e Arquitetura de Moscou. Fonvizin ficou conhecido como aquarelista: ele participou dos grupos Mundo da Arte, Rosa Azul, União da Juventude, Alvo e Rabo de Burro, e, posteriormente, do AKhRR – AkhR (1929-1930).
Depois que o Grupo Trigo [Estefanos] se transformou no Grupo Trigo – Corôa [Venok – Stephanos]. David Burliuk (1882-1967), Alexander Fedorovich Gaush (1873-1949), Sergey Konstantinovih Makovsky (1877-1962) e Aristarkh Lentulov (1882-1943) organizaram a mostra desse novo grupo, formado em São Petersburgo. A única exposição ocorreu na residência do conde Stroganov e foi inaugurada em 21 de março (1908). Participaram Boris Israelevich Anisfeld (1878-1973), Peter Ignatievich Bromirsky (1886-1919\20), Sergey Vasilievich Chekhonin (Tchekhonin, 1878-1936), Nikolay Petrovich Feofilaktov (1878-1941), conhecido como o “Beardsley Moscovita”; Artur Vladimirovich Fonvizin (1883-1973), Pavel Kusnetsov (1878-1968), Alexey Erimeevich Karev (1879-1942), Mikhail Fedorovich Larionov (1881-1964), Aleksandr Matveyev (1878-1960), Nikolay Milioti (1874-1962), Aleksander Ilytch Naumov (1899-1928), Martiros Sergeyevich Sariyan (1880-1972), Alexey von Jawlensky (1864-1941) e Piotr Savvih Utkin (1877-1934), entre outros.
No mesmo ano David Burliuk (1882-1967) e Aleksandra Ekster (1882-1949) organizaram, sem muito sucesso, a única mostra do pouco conhecido Grupo (Russo) Ligação [Zueno] (São Petersburgo, novembro, 1908).
REFERÊNCIAS SELECIONADAS:
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CATÁLOGO. LODDER, C., MILNER, J.; BASNER, E.; DJAFÁROVA, S. (Biogr.). La Vanguardia Rusa 1905-1925 en Las colecciones de los Museos Rusos. Madrid: Fundación Central Hispano, Fondación ELF, 1993. 295p.: il., color., pp. 03, 06, 21.
DICIONÁRIO. CHILVERS, I. A Dictionary of 20th century art. Edited by Ian Chilvers. Oxford: Oxford University Press, 1998. 670p., pp. 78-79, 86. (Oxford reference).
GRUPO (TCHECO DA) ASSOCIAÇÃO DE BELAS ARTES SKUPINA [Skupina výtvarných umělců] (Praga, 1912-1914).
O Grupo (Tcheco dos) Oito [Osma] (v.), se separou (1912): e, no mesmo ano, surgiu a crise na Associação de Belas Artes Mánes, a segunda, depois da cisão anterior dos artistas formadores do Grupo dos Oito [Osma] (Praga, 1907-1912). Na época fazia sucesso em Paris o Cubismo de Montmartre, representado por Pablo Picasso e Georges Braque; e o Cubismo de Montparnasse, representado por Albert Gleizes e Jean Metzinger. Os seguidores de Picasso e Braque em Praga foram os artistas do Grupo da Associação de Belas Artes Mánes, formadores e destaques no Grupo dos Oito: Emil Filla e Otto Gutfreund. Formou-se o antagonismo com os seguidores do Cubismo de Montparnasse, de Gleizes e Metzinger, em Praga, com os irmãos Capek, o pintor, escritor e jornalista Josef Capek (1887-1945), irmão mais velho do escritor e teatrólogo Karel Capek (1890-1938).
Pinturas do Grupo da Associação de Belas Artes Skupina combinavam o Cubismo com influencias do Expressionismo, Futurismo, Orfismo, e Raionismo russo (v., abaixo). Foram eles, os artistas e escritores antagonistas Futuristas (v. Futurismo: Países do Leste Europeu), que estabeleceram o Grupo (Tcheco) da Associação de Belas Artes Skupina, buscando nova identidade e possibilidades nas artes de vanguarda do país.
Algumas exposições associaram a arte do tcheco Bohumil Kubista ao Futurismo italiano, como a Mostra dos Futuristas e Expressionistas (Budapeste) e a Exposição dos Futuristas, Cubistas e Expressionistas (Lvov, República Tcheca, 1913), que itinerou à Galeria Havel (Praga, 1914). As primeiras vanguardas tchecas, representadas pela Associação de Belas Artes Mánes [Svaz Výtvarných Umělců Mánes], foramseguidas do Grupo (Tcheco dos) Oito [Osma], e do Grupo (Tcheco) da Associação de Belas Artes Skupina.
REFERÊNCIAS SELECIONADAS:
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1904-1906-GRUPO (MULTIDISCIPLINAR RUSSO DA) ROSA ESCARLATE [ALAYA ROZA] (Saratov, Armênia, Rússia).
GRUPO (MULTIDISCIPLINAR RUSSO DA) ROSA ESCARLATE [ALAYA ROZA] (Saratov, Armênia, Rússia, c. 1904-1906).
O grupo foi organizado pelo artista plástico Victor Elpidiforovich
Borisov-Musatov (1870-1905), na cidade onde ele nasceu, Saratov (Armênia). Os artistas eram ucranianos ou armênios, entre outros que se encontravam no Café Grego, no Boulevard Tverskoi, onde o poeta retratado por Ilya Efimovich Repin (1844-1930), Andrey Bely (1880-1934) discursava apaixonadamente, enquanto o filósofo Vladimir Sergeyevich Solovyov (1853-1900) ouvia; ele acabou sugerindo o nome do grupo. Um celista, amigo de Borrisov-Mussatov, organizou a dita, Noite de Arte Moderna, no Instituto de Música (Saratov, janeiro, 1904). Participaram artistas, músicos, intelectuais, teatrólogos, inclusive o escritor, poeta e dramaturgo, Konstantin Dmitrievich Balmont (1867-1942). Foram instalados grandes painéis pintados, nas escadarias e na entrada, posteriormente desaparecidos, de autoria de Pavel Kusnetsov (1878-1968) e Piotr Savvich Utkin (1877-1934).
Quando o poeta e editor Sergey Konstantinovich Makovsky (1877-1962) assumiu o patrocínio do Grupo (Russo) da Rosa Escarlate, foi promovida a única mostra (Saratov, Armênia, maio de 1904).
Este grupo reuniu artistas que futuramente formarão a dita, Escola Moscovita Simbolista de Pintura, como Anatoly Arapov (1876-1949), Vasily Ivanovich Denisov (1862-1982), Vladimir Drittenprejs (1878-1917), Nikolai Petrovich Feofilaktov (1878-1941), Artur Vladimirovich Fonvizin (1883-1973), Ivan Adolfovich Knabe (1879-1910), Nikolai Petrovich Krymov (1884-1958), Pavel Kusnetsov, Bóris Kustodiev (1878-1927), Nicolai Sapunov (1880-1912), Martiros Sergeyevich Sariyan (1880-1972), Sergey Sudeikin (Serge Sudeikine, 1882-1946) e Georgy Yaculov (1884-1928) e Piotr Savvich Utkin (1877-1934), entre outros, além das obras de convidados especiais como as do professor das vanguardas russas Mikhail Aleksandrovich Vrubel (1856-1910) e de Victor Borrisov-Mussatov.
Sudeikin criou a capa do catálogo, do qual hoje resta apenas um exemplar, guardado na biblioteca da Academia de Artes de São Petersburgo (BOLWT, 1972). A maioria dos artistas do Grupo (Russo) da Rosa Escarlate [Alaya Roza] foi viver em Moscou e muitos associados participaram posteriormente do Grupo (Russo) da Rosa Azul [Golubaya Roza) (Moscou, 1907-1910, v.).
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Sunday, June 1, 2014
BIOGRAFIA: KOMISSARZHEVSKAYA, Vera Fyodorovna (1864-1910).
BIOGRAFIA: KOMISSARZHEVSKAYA, Vera Fyodorovna (1864-1910).
A bela atriz russa foi filha do famoso cantor operístico Fyodor Komissarzhevsky (1832-1905). A jovem, aos 19 anos de idade, se casou com o Conde Muravyov, mas preferiu manter como nome artístico o de solteira. Vera trabalhou no Teatro Alexandrinsky: ela alcançou grande sucesso no papel de Nina Zarechnaya na peça A Gaivota (São Petersburgo, 1896), de Anton Chekhov (1860-1904).
No começo do século XX, Vera Komissarzhevskaya se tornou a mais celebrada atriz das vanguardas russas: ela fundou pequeno teatro com seu nome (São Petersburgo, 1904). Esse espaço cultural foi bastante frequentado pela aristocracia e pelas vanguardas russas, principalmente por artistas do Grupo (Russo-Soviético) do Mundo da Arte [Mir Iskusstva] (v.), liderado por Sergey Diaghilev (1872-1929). O repertório da companhia dramática de Komissarzhevskaya privilegiou os mais importantes autores Simbolistas europeus, pertencentes às vanguardas de sua época - o russo Leonid Andreyev (1871-1919), o belga Maurice de Maeterlinck (1862-1949), o alemão Gerhard Hauptmann (1862-1946), o inglês Oscar Wilde (1854-1900). A atriz teve a audácia de encenar peças censuradas desses precursores das vanguardas européias. No entanto, o maior esforço da companhia teatral foi a encenação da peça A Barraca do Saltimbanco (1906), de autoria de Aleksandr Blok (1880-1921), na qual a atriz atuou sob a direção de Vsevolod Meyerhold (Vsevolod Emilovich Meyerhold: Karl Theodor Kasimir Meiergold, 1874-1942), com a cenografia de Nicolay Sapunov (1880-1912). Esta peça, de estética Simbolista, apresentou a visão fantástica de outro mundo, concomitantemente com a sátira da visão filosófica do mundo da época. O cenógrafo N. Sapunov, compreendeu verdadeiramente o significado ambivalente da obra e projetou o palco dentro do palco, sendo um externo, suspenso e outro interno, palcos que apresentaram simultaneamente cenas da vida doméstica russa, mostrando a dualidade presente no impasse temático da peça, nessa obra do realismo teatral lançado por Konstantin Stanislavsky (Konstantin Sergeievich Alexeyev, 1863-1938).
Komissarzhevskaya encenou dramas como Máscara Negra (1908), de Leonid Nikolaevich Andreyev (1871-1919), sob a direção de A. P. Zonov com participaçãode seu pai, Fyodor Komissarzhevsky, peça que estreou com a cenografia de Nikolay Kalmakov (1873-1935). O mesmo artista criou a cenografia e figurinos para a peça censurada de Oscar Wilde (1854-1900), Salomé (1908). A encenação dessa peça de autoria do escritor inglês, condenado no tribunal por “indecência” (1895), suscitou vivos protestos por parte da sociedade conservadora e das autoridades eclesiásticas de São Petersburgo. Kalmakov também foi o cenógrafo e figurinista de Anátema [Anafema], de autoria de L. N. Andreyev (1909).
Durante sua turnê na Ásia Central, Komissarzhevskaya faleceu de varíola: o seu passamento chocou seus inúmeros admiradores e resultou em algumas obras líricas pungentes de Alexander Blok. A atriz foi enterrada no Cemitério Tikhvin, em São Petersburgo. O filme sobre a vida de Vera Komissarzhevskaya, Sou uma Atriz [Ya – aktrisa], foi lançado na URSS em 1980, com a atriz russa Natália Saiko no papel principal.
REFERÊNCIA SELECIONADA:
CATÁLOGO. ATTI, F. C. degli; FERRETTI, Daniela (Org.). Rusia, 1900-1930, L'Arte della Scenna. Milano: Galeria Electa. Moscou: Museu Bachrusín, 1990, pp. 17-18, 90.
INTERNET. Russian Art and Books: Results for Information : Imperial, Soviet and Emigrant Paintings. Personalia Page1-26. Disponível:: <http://www.russianartandbooks.com/cgi-bin/russianart/view/Information.html> Acesso: 11 nov., 2009.
INTERNET. Vera Komissarzhevskaya. From Wikipedia, the free encyclopedia. Disponível: <http://en.wikipedia.org/wiki/Vera_Komissarzhevskaya>. Acesso: 03 dez, 2009.
Friday, May 30, 2014
CHALIAPIN, Fedor; Fyodor Ivanovich Shalyapin (1873-1938). Georgiano.
CHALIAPIN, Fedor; Fyodor Ivanovich Shalyapin (1873-1938). Georgiano.
O artista russo nasceu em Kazam: tornou-se ator e cantor de grande expressão, que começou cantando ópera no Teatro de Tiflis (Tiblise, 1892). Seu incrível talento de ator dramático e sua poderosa e rara voz de baixo, levaram-no a ser convidado para participar da comunidade de artistas, a conhecida Colônia Abramcevo (v. Grupo da Colônia Abramcevo), sustentada e promovida pelo multimilionário Savva Mamontov. O russo mantinha a Ópera Privada Russa, dedicada a encenar somente produções operísticas que estreavam no seu teatro particular, no seu palacete em São Petersburgo. As óperas itineravam depois por teatros do interior do país; todos os artistas convidados para participarem da comunidade foram seus músicos, pianistas, atores, cantores, cenógrafos e figurinistas de suas produções próprias e, a maioria, se tornou conhecida internacionalmente, devido a esta verdadeira escola. Foi neste local que Chaliapin conheceu e formou uma grande amizade com o músico, compositor e maestro Sergey Rachmaninov, entre vários outros artistas, como Mikhail Vrubel, Victor Simov, Konstantin Korovin, Valentin Serov e Sergey Sudeikin. Shalyapin cantou em Moscou (1896-); ele passou a ser Chaliapin em Paris (1907; 1908; 1912) e em Londres (1913). O cantor se apresentou com a obra para voz e piano Carta a K.S. Stanislavsky, de autoria de Sergey Rachmaninov, primeiro apresentada em Dresden (out.) e, com ele, no Teatro de Arte de Moscou [MChAT] (14 out., 1908).
As primeiras temporadas parisienses foram organizadas por Sergey Diaghilev, que levou o talento do cantor russo para encantar as platéias francesas. Diaghilev conheceu Gabriel Astruc, o primeiro a patrociná-lo na França; Astruc publicava a La Revue Musicale [A Revista Musical] e promovia concertos; posteriormente ele construiu o Teatro dos Campos Elísios (Paris, 1913). Diaghilev destacou a qualidade dos artistas russos e convenceu Astruc a promover os primeiros cinco recitais de música russa para o público francês. Na primavera, Astruc organizou os concertos, todos realizados no Teatro da Ópera de Paris (1907). Nesta ocasião, foram apresentados para o público francês os até então desconhecidos cantores russos Felia Litvine e Shalyapin, que, sob a influencia de Diaghilev, mudou seu nome para Chaliapin. No primeiro recital foram apresentados trechos da ópera Bóris Godunov, de autoria de Modest Mussorgsky, do Grupo dos Cinco (v.) compositores russos; esta ópera foi baseada no drama de Pushkin. Anos mais tarde Sergey Prokofiev criou a música incidental, nunca publicada, Bóris Godunov (Opus 70b, 1936). Em Paris foram encenados trechos da ópera Khovanschina, também de Mussorgsky, e alguns trechos de Príncipe Igor, ópera de Alexander Borodin, completada por Alexander K. Glazunov e Nicolay Andreievich Rimsky-Korsakov, que, nesta ocasião, regeu a orquestra do Teatro da Ópera de Paris (1907).
Na estréia a poderosa música russa foi bastante apreciada pelo público; no mesmo programa inaugural S. Rachmaninov tocou o Concerto n. 2 para piano e orquestra de sua autoria; e foram apresentados trechos de outras músicas dos compositores russos como Mikhail Glinka, Alexander Glazunov e Scriabin. Nessa primeira temporada, Diaghilev trouxe pela primeira vez ao Ocidente a ópera A Criada de Pskov, de N. Rimsky-Korsacov, apresentada com a Orquestra da Ópera de Paris, sob a regência do próprio compositor. O empresário rebatizou a ópera com o nome de Ivan, o Terrível; o principal cantor foi Chaliapin (Ivan). Na segunda parte, desse que foi o segundo programa operístico da primeira temporada russa em Paris, foi apresentada a ópera Judith, de Alexandre Serov, hoje obra completamente esquecida, mas que, no século XIX, foi considerada a mais russa das óperas, e participou dos primeiros repertórios operísticos dos novos teatros russos.
A primeira temporada da Cia Teatral S.P. Diaghilev abriu caminho para a segunda, no ano seguinte, que contou na platéia de estréia com a presença de três Grãos-Duques russos, além do Presidente da França. Na récita de gala foi apresentada a ópera completa Bóris Godunov, com Chaliapin no papel de Bóris. A ópera representou novamente grande triunfo do cantor, que se apresentou juntamente com Coro e Orquestra da Ópera do Teatro Bolshoi de Moscou (Paris, 1908). O pintor russo A. *Golovin retratou Chaliapin vestido com os ricos costumes típicos russos apresentados em Bóris Godunov, no quadro que pertence ao acervo do Museu de Leningrado e se encontra reproduzido (DUFOURCQ, 1976). Em outra temporada, quatro anos depois, foi reapresentada Judith de A. de Serov e Mazeppa, de Sergey Rachmaninov, ópera baseada no texto de Alexandre Puschkin. Na ocasião Diaghilev passou a intercalar o programa operístico com programas de balé, que o público francês acabou preferindo (1912- ).
Diaghilev organizou os Balés Russos (Paris, 1909-1929), cujos programas acabaram prevalecendo sobre os operísticos, embora ocasionalmente ele organizasse alguns, especialmente para suas temporadas em Monte Carlo. Stravinsky escreveu, a pedido de Diaghilev, a versão conjunta com Maurice *Ravel (mar.- abr., 1913), para a ópera Khovanschina do compositor russo M. Mussorgsky. A obra estreou cantada por Chaliapin, no Teatro dos Campos Elísios (Paris, 5 jun., 1913). Na mesma temporada, esta versão musical foi apresentada no Teatro Drury Lane (Londres, 1º jul.). O Coro Final, com arranjo e orquestração de I. Stravinsky, somente foi publicado no ano seguinte (Bessel, 1914). Depois da Revolução russa (1917), Chaliapin emigrou para o Ocidente: ele viveu na França e desenvolveu vitoriosa carreira internacional, que levou-o a se apresentar nos maiores teatros do mundo, inclusive na América.
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1920-1922-GRUPO PERFORMÁTICO DA FÁBRICA DO ATOR EXCÊNTRICO [FEKS] (Leningrado, c. 1920-1922).
GRUPO PERFORMÁTICO DA FÁBRICA DO ATOR EXCÊNTRICO [FEKS] (Leningrado, c. 1920-1922).
O Grupo Performático da Fábrica do Ator Excêntrico [FEKS], rejeitou o Futurismo italiano no seu manifesto; no entanto, o que fez na teoria, não realizou na prática. Os espetáculos do FEKS mesclaram a Cultura da Diversão com o espetáculo de variedades, introduzindo a música do jazz, quadros cômicos e números especiais tipo Music-Hall. Este tipo de espetáculo celebrava a cultura Futurista: um dos espetáculos encenado pelo grupo foi A Morte de Tarelkin, de A. V. Sukhovo-Kubylin, sátira à polícia czarista e a burocracia russa, dirigida por Vsevolod Meyerhold (Vsevolod Emilovich Meyerhold: Karl Theodor Kasimir Meiergold, 1874-1942), encenado com cenário Construtivista e móveis dobráveis de Várvara Stepanova (1894-1958). Na essência, foi aplicação prática das teorias divulgadas por F. T. Marinetti (1876-1944), mentor do Futurismo italiano no seu Manifesto do Teatro de Variedades, assinado conjuntamente com Fortunato Depero (1892-1960), quando,
[…] tudo move-desaparece-reaparece, multiplica, quebra, pulveriza, treme, transforma-se em cena, máquina cósmica que é a vida […] (v. Manifestos Futuristas).
A dupla de fundadores da Fábrica do Ator Excêntrico [FEKS], desenvolveu projeto cinematográfico associado às vanguardas, principalmente expressivo no cinema apresentado posteriormente, dirigido por Grigory Kosintsev (1905-1973) e Leonid Trauberg (1902-1990).Esses diretores cinematográficos ainda são pouco conhecidos fora de seu país, mas ocupam lugar de destaque, principalmente na produção soviética na década 1930-1940. O muito conhecido cineasta russo Sergey Eisenstein (1898-1948), pertenceu ao FEKS, movimento teatral, dito, Futurista, por ser voltado para o futuro.
REFERÊNCIAS SELECIONADAS:
GOLDBERG, R. Performance Art: from Futurism to the Present. London: Thames and Hudson 2001. 206 p., il. Algumas color., pp. 37, 44. 15 x 21 cm (world of art).
GOLDBERG, R.; ANDERSON, l. (Foreword). Performance: live art since 1960. New York: Harry N. Abrams, 1998. 240p.: il., p. 48. 26 cm x 29 cm.
CATÁLOGO. HULTEN, P. (ORG.); JUANPERE, J.A.; ASANO, T.; CACCIARI, M.; CALVESI, M.; CARAMEL, L; CAUMONT, J; CELANT, G; COHEN, E.; CORK, R.;CRISPOLTI, E.; FELICE, R; DE MARIA, L.; DI MILLIA, G.; FABRIS, A.; FAUCGEREAU, S.; GOUGH-COOPER, J.; GREGOTTI, V.; LEVIN, G.; LEWISON, J.; MAFFINA, F.; MENNA, F.; ÁCINI, P.; RONDOLINO, G; RUDENSTINE, A.; SALARIS, C.; SILK, G.; SMEJKAI, F.; STRADA, V.; VERDONE, M.; ZADORA, S. Futurism and Futurisms. New York: Solomon R. Guggenheim Museum, Abeville Publishers, 1986. 638p.: il, retrs., p. 505.
Friday, May 23, 2014
BIOGRAFIA: MEYERHOLD, Vsevolod Emilovich; Karl Theodor Kasimir Meiergold (1874-1942).
BIOGRAFIA: MEYERHOLD, Vsevolod Emilovich; Karl Theodor Kasimir Meiergold (1874-1942).
O artista, ator, professor e diretor teatral nasceu em Penza, no seio de familia numerosa, com oito filhos; seu pai mantinha a prole com destilaria de alcool. Meyerhold naturalizou-se russo (1895), e na época, mudou seu nome; o artista estudou no Liceu de Penza, quando e onde começou a atuar no teatro. Meyerhold estudou Direito, mas logo abandonou a carreira para dedicar-se somente ao teatro. Meyerhold foi admitido no Instituto Musical e Dramático da Sociedade Filarmônica (Moscou, 1896): nesse local formou-se o primeiro grupo de atores do futuro teatro fundado por ele, o MChAT - Teatro de Arte (Moscou, 1898).
O ator e diretor teatral instalou teatro na cidade armênia de Tiflis (hoje Tibilisi, capital da Geórgia, 1904-1905). No entanto, o diretor foi obrigado a enfrentar censura, quando impediram-no de encenar O Inimigo do Povo, peça de Henryk Ibsen (1828-1906) e Os Estivadores, de Maksim Gorki (1868-1936). O artista voltou para Moscou, onde, apoiado por Konstantin Stanislavsky (1863-1938), fundou o Primeiro Estúdio do Teatro de Arte de Moscou [Pervaja studja MChAT - Moskovskyi chodozestvennyi teatr], conhecido como MChAT - I (Moscou, 1905). A escola esteve voltada para o ensino das técnicas e atuação teatral. Meyerhold encenou para seleta audiência, composta de artistas e escritores vanguardistas, a peça A Morte de Tintagiles, de Maurice de Maeterlinck; mas o teatro foi obrigado a fechar suas portas. Meyerhold viajou para São Petersburgo e passou por Tiflis, excursionando com sua companhia teatral (1906); na época, o diretor reencenou A Morte de Tintagiles, entre outras peças importantes com temática social, de autores censurados na Rússia como Gerhart Hauptmann, Ibsen e Gorki.
A conhecida atriz Vera Kommissarjevskaia (1864-1910), que mantinha seu próprio teatro onde atuou o ator Anatoly P. Nelidov, que, mais tarde, se tornou diretor do Teatro Pushkin (Leningrado), propôs que Meyerhold trabalhasse para seu teatro.No teatro de Kommissaryevskaia, instalado na cidade onde viviam o Czar e a nobreza russa, o diretor encenou a Irmã Beatrice, de Maurice de Maeterlinck; A Barraca da Feira (1906), peça lírica de Alexandre Blok (1880-1921), apresentada com cenários do pintor Nicolay N. Sapunov (1880-1912), que também foi, no mesmo ano, cenógrafo de Hedda Gabler, de Henryk Ibsen, dirigida por Meyerhold; no mesmo ano (1907), ele encenou a A Vida do Homem, de Leonid Andreiev (1871-1919), entre várias outras peças como as do polêmico ator e teatrólogo alemão Frank Wedekind (1864-1918), e outra peça de Fyodor Sologoub (1863-1927).
Surgiram desentendimentos entre Meyerhold e Vera Kommissaryevskaia, que não queria mais encenar peças Simbolistas. Meyerhold aceitou cargo no Teatro Imperial, onde permaneceu durante 10 anos (São Petersburgo, 1908-1918). O diretor atuou no Teatro Aleksandrinsky, que situava-se na Praça Aleksandrinska e que depois se transformou no Teatro Acadêmico Estatal Pushkin; e Meyerhold também trabalhou para o Teatro Mariinsky (1908-). Na primeira encenação de No seio do Reino, de Knut Hamsun (1859-1952), Meyerhold atuou como ator principal; o diretor encenou a ópera de Richard Wagner 1813-1883), Tristão e Isolda (1909), que obteve grande sucesso entre a nobreza russa. Meyerhold encenou Don Juan (1910), peça de Molière (Jean Baptiste Poquelin, 1622-1673), com cenários de Alexandre Golovin (1863-1930); a ópera Orfeu e Eurídice (1911), de Glück (Christoph Willibald Glück, 1714-1787); e Electra (1913), de Richard Strauss (1864-1949).
O artista publicou seu livro Do Teatro e fundou seu Teatro Estúdio (1913-1917), além de montar seu primeiro balé, Pisanello ou A Morte Perfumada, com cenários e figurinos de Léon Bakst (1866-1924) e coreografia de Michel Fokine (1880-1942), libreto de Gabrielle D'Annunzio (1863-1938), especialmente para a bailarina russa Ida Rubinstein (1895-1960) dançar, que Meyerhold encenou no Teatro Chatêlet (Paris, 1913). Nessa viagem à França o diretor russo conheceu intelectuais e escritores das vanguardas francesas, como Paul Fort (1872-1960) e o mecenas Jacques Rouché (1862-1957); ele assistiu palestra do Futurista italiano F. T. Marinetti (1876-1944). Meyerhold voltou à Rússia: no novo estúdio encenou a primeira farsa O Amor das Três Laranjas (1914), que transformou-se, dois anos depois, em revista teatral (1916); ele encenou o Bal Masqué (Baile de Máscaras, 1917) de Mikhail Lermontov (1814-1841); e, no ano seguinte, reencenou O Mistério Bufão (1918) de V. V. Mayakovski (1893-1930), com figurinos do autor.
A Revolução Russa mudou os rumos da vida de Meyerhold: o diretor imediatamente aderiu à mesma, colocando-se à serviço dos novos líderes. Meyerhold assumiu o posto de Comissário Vermelho, sendo-lhe atribuídas novas responsibilidades políticas e sociais, à serviço da revolução do proletariado. Meyerhold tornou-se Diretor do Comissariado Popular Para a Educação [NARKOMPROS - NARODNY KOMISSARIAT PO PROSVESCENYU], fundado em Moscou (nov., 1917-). E, com apoio estatal, fundou em um prédio em ruínas o teatro RSFSR-1: esse teatro se fundiu, dois anos depois, com o Teatro K. N. Nezlobin e ficou conhecido como o Teatro Meyerhold. A primeira récita foi do espetáculo Les Aubes [As Auroras], do belga Émile Verhaeren (1855-1916), que Meyerhold e Valeri Bebutov adaptaram, a fim de atender à propaganda política do novo regime (nov., 1920). No ano seguinte Meyerhold reencenou a segunda versão de O Mistério Bufão, de Maiakovsky, quando o diretor organizou o Estágio Avançado da Oficina de Diretores (1921). O futuro cineasta Sergei Eisentein (1898-1948) tornou-se seu aluno, até que o mesmo começou a trabalhar como diretor independente no Teatro do PROLETKULT (1923).
O movimento do Construtivismo soviético nas artes cênicas, colaborou com a cenografia e figurinos da peça O Cuco Magnífico (abr., 1922), de Fernand Crommelynck (1886-1970), encenada com cenários de Lyubov Popova (1889-1924). A fotografia dessa montagem cenográfica se encontra reproduzida no catálogo da mostra A Grande Utopia [The Great Uthopia] (Museu Salomon R. Guggneheim, Nova York, 1994). Meyerhold utilizou sua nova técnica da biomecânica corporal: nessa fase, todos os aspectos da produção teatral ficavam subordinados ao fluxo econômico do espetáculo, inserido no modelo das novas e rápidas transformações da sociedade soviética. Na nova filosofia de trabalho os atores vestiram macacões de sarja azul e evoluíram em cena com a precisão mecânica dos robôs, na farsa teatral mecanizada, apenas compensada pelo burlesco da comédia.
Meyerhold conseguiu ter seu próprio teatro, o TIM (1923), onde encenou A Floresta [La Forêt] (1924), de Alexander Ostrowski (1823-1886); O Mundano [Le Mondot] (1925) e O Inspetor Geral [Revizor] (1926), de Nikolai Gogol (1809-1852); ele encenou peça (1928) de Alexandr Griboiedov (1795-1829) e duas peças de V. Maiakovsky (1930; 1931), entre outras. Meyerhold realizou outra turnê parisiense (1930); posteriormente, ele encenou a Dama das Camélias (1934), baseada no drama de Alexandre Dumas Filho (1824-1895). O diretor russo também encenou ópera de Tchaikovsky (1935).
Na década de 1930 o poder de Iósif Stalin qualificou os espetáculos de Meyerhold de estranhos ao Realismo Socialista Soviético. O diretor foi violentamente atacado, tanto que foi obrigado a oferecer seu Mea Culpa públicamente, fato que não modificou sua difícil situação face ao regime soviético (1936). Depois de pronunciar discurso radiofônico (jun., 1939), na época do grande expurgo sovietico, Meyerhold foi preso. O diretor teatral foi torturado e condenado à morte como Trotskista, espião inglês e japonês. O regime soviético fuzilou Meyerhold (02 fev., 1940); sua mulher, a atriz Zinaida Raih (ou Reich, 1894-1939), foi brutalmente espancada e assassinada. A obra do diretor russo ficou escondida durante décadas, coberta pelo véu da censura, no mais negro e profundo ostracismo. Declarou Herbert Marshall, no prefácio de Memórias Imorais, uma Autobiografia, sobre seu mestre Sergei Eisenstein, autor do livro citado:
[…] Somente em três passagens de sua autobiografia ele se solta. A primeira é quando revela o pesar que sente pelo destino de seu amado mestre, Vsevolod Meyerhold (que, na época em que ele escrevia era considerado uma "não pessoa"). Eis o seu testemunho:
[…] Devo dizer que jamais amei, idolatrei, venerei alguém tanto quanto o meu professor e até a mais extrema velhice considerar-me-ei indigno de beijar o pó de seus pés […] (Eisenstein).
[…] Meyerhold ainda era "inimigo do povo": todas as suas obras foram proibidas, seu teatro fechado; todas as informações a seu respeito foram suprimidas das enciclopédias e obras de referência; o novo teatro por ele projetado recebeu o nome de "Sala de Concertos Tchaikovsky"; sua mulher foi brutalmente assassinada e o próprio Meyerhold morreu nas celas da KGB. Então, na era de Krutchev, ficou-se sabendo que o arquivo de Meyerhold não tinha sido destruído pela KGB, conforme todo o mundo supunha, mas foi escondido por Eisenstein e por Pera Attacheva na sua dacha, ficando assim preservado para a posteridade. Era um ato de coragem, na era de Stalin.[…].
Pera, a dedicada esposa de Eisenstein, preservou seus escritos e publicou póstumamente o citado livro de memórias que o cineasta russo escreveu durante seu período de convalescença, depois do primeiro infarte sofrido (fev., 1946). A fotografia de Eisenstein (1926), de Pera (1934) e duas fotos de Meyerhold, bem como a fotografia do diretor dando aula para uma dúzia de alunos, se encontram publicadas no livro Memórias Imorais, Uma Autobiografia, de Sergei Eisenstein, prefáciado por seu aluno Marshall, com a ajuda imprescindível de Pera Attacheva (1900-1965), que conseguiu preservar o manuscrito intacto.
A fotografia de Meyerhold com sua mulher, Zinaida Raikh (1932), entre várias fotografias de identidade do arquivo de sua obra Investigação Criminal (1939), bem como as fotografias de pequeno grupo com Meyerhold, Maiakovsky, Alexander Rodchenko e o músico Dimitri Shostakovsky, que musicou filmes das vanguardas russas (Pudovkin, etc.), se encontram publicadas no catálogo da mostra Gráfica Utópica, Arte Gráfica Russa 1904-1942, realizada no CCBB - RJ (2002). Depois da morte de Stalin (1953), em meados da década de 1950, a memória de Vsevolod Meyerhold foi reabilitada na Rússia.
REFERÊNCIAS SELECIONADAS:
ENCICLOPÉDIA. CASSOU, J.; BRUNEL, P.; CLAUDON, F; PILLEMONT, G.; RICHARD, L. (Col.). Petite Encyclopedie du Symbolisme: Peinture, Gravure et Sculpture, Littérature, Musique. Paris: Somogy, 1988, 315p.; il, pp. 266-267.
EISENSTEIN, S.; MARSHALL, H. (Edição e Pref.). Memórias Imorais, uma Autobiografia. Tradução de Carlos Eugênio Marcondes de. Moura. São Paulo: Companhia das Letras, 1983, pp. 128, n. 9-12,
ENSAIO. MARSHALL, H. Apud EISENSTEIN, S. Memórias Imorais, uma Autobiografia. Tradução de Carlos Eugênio Marcondes de. Moura. São Paulo: Companhia das Letras, 1983, p. 14.
SALLES, E. Gráfica Utópica. Arte Gráfica Russa, 1904-1942. Tradução de Paulo Cypriano. Rio de Janeiro: CCBB, 2002, p. 171.
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