Translate

Monday, June 15, 2015

BIOGRAFIA: TORRES-GARCIA, Joaquín (1874-1949).

BIOGRAFIA: TORRES-GARCIA, Joaquín (1874-1949). O artista uruguaio nasceu e morreu em Montevidéu: Torres-Garcia foi viver com sua familia na Europa (Barcelona, 1891). O artista seguiu os cursos da Academia de Belas Artes. Torres-Garcia participou da associação de pintores católicos, o Círculo de Artistas de São Lucas (1894) e trabalhou com Antoni Gaudí (Antoni Plaid Gaudí i Gaudí Cornet, 1852-1926), no desenho da Igreja da Sagrada Família (Barcelona) e nos vitrais da Catedral de Palma (1903-1907). No mesmo período o artista tornou-se professor de arte na Escola Mont D'Or, e, anos depois viajou por vários países como a Itália e Suíça (1909). Torres-Garcia recebeu a encomenda de pintura mural para a Igreja de San Agustín (1908) e de frisas para a sede do Parlamento Catalão (1918); os seus desenhos foram inspirados em vários artistas das vanguardas européias, como Pablo Picasso, Henri de Toulouse-Lautrec (1864-1901) e Pierre Puvis de Chavannes (1824-1898). O artista publicou série de textos de natureza poética e teórica sobre arte, como sua Nota sobre arte. Torres-Garcia visitou Nova York (1916) onde encontrou Marcel Duchamp (1887-1967) e tornou-se amigo de Katherine Dreier (1877-1952), que adquiriu suas obras para a Sociedade Anônima (1920), além de organizar e participar de mostra conjunta com Stuart Davis (1894-1964), no Estúdio Clube Whitney (Nova York, 1924). Torres-Garcia passou dois anos na Itália (1924-1926); após breve estadia em Villefranche (França), o artista instalou seu estúdio conjunto com Jean Helion (1904-1987), em Paris. Na época Torres-Garcia conheceu Theo van Doesburg (1882-1931) e Piet Mondrian (1872-1944), e sua obra foi influenciada pelas modernas teorias do Neo-Plasticismo, lançadas por estes artistas. No início da década de 1930 Torres-Garcia fundou, junto com Michel Seuphor (Paris, 1901-1999), o Grupo (Internacional Parisiense) do Círculo e Quadrado (v.); e a revista Cercle et Carré [Círculo e Quadrado] (v.), lançada na 1ª Exposição Internacional do Grupo Círculo e Quadrado [1ère Exposition Internationale du Groupe Cercle et Carré] (18 abril – 1º maio, 1930), realizada na Galeria 23, sita na rua de la Boétie (Paris). A composição da revista foi de Torres-Garcia, com tipografia sóbria e compacta, influenciada pelo Neo-Plasticismo. Seuphor estabeleceu o sistema de cotas para a publicação, obtendo a adesão de c. de 80 artistas, que participaram da exposição como Wassily Kandinsky, Hans e Sophie Arp, Fernand Léger, Willi Baumeister, Marcelle Cahn, Amedée Ozenfant, Kurt Schwitters, Henryk Stazewsky, Georges Vantongerloo, Serge Charchoune, Anton Pvsner e Le Corbusier, além do próprio J. Torres-Garcia, entre outros. Seuphor programou a inauguração da mostra com evento performático, apresentação de música dita, verbal, poemas fonéticos e concerto da música ruidista do Intonarumori de Luigi Russolo. No mesmo ano Torres-Garcia organizou a mostra de pintores latino-americanos na Galeria Zak (Paris). No entanto, o artista estava premido por dificuldades financeiras, devido às repercussões da grande recessão que atingiu o mundo desde a crise da bolsa de Nova York (maio, 1929). Torres-García decidiu voltar a viver em Montevidéu (1934). Na capital uruguaia o artista fundou a Associação para Arte Construtiva (v.); editou e publicou a revista Círculo e Quadrado e escreveu sua biografia (1939). Torres-Garcia realizou a obra mural Monumento Cósmico, no Parque Rodo (1938) e inaugurou seu Ateliê Pedagógico Coletivo em hospital, o qual patrocinou a publicação de seu livro O Construtivismo Universal (1944). O artista escreveu vários outros livros, que complementaram sua contribuição à unificação da arte e da cultura na América do Sul. Depois que Torres-Garcia faleceu em Montevidéu (1949) ele foi homenageado com inúmeras exposições retrospectivas de suas obras, em vários museus internacionais como em Paris (1955); Amsterdã (1964); nos EUA (1960; 1961; 1965; 1969; 1970); na mostra A Escola do Sul: o Ateliê Torres-Garcia e seu Legado, em Madrid; no MAM - Rio de Janeiro (1979), onde verdadeira tragédia ocorreu devido ao incêndio que destruiu grande parte da obra de Torres-Garcia, que, na ocasião realizava sua retrospectiva no museu brasileiro. Obras do artista participaram da mostra Torres-Garcia e Barradas (1996), organizada com a curadoria de Angel Kalenberg no CCBB (Rio de Janeiro). A obra de Torres-Garcia, Interior (1924, óleo/ cartão, na coleção do Museu Nacional de Artes Visuais, Montevidéu, Uruguai), participou da exposição Novecento Sudamericano: Relações Artísticas entre Itália, Argentina, Brasil e Uruguai, organizada com o patrocínio do Instituto Italiano de Cultura na Pinacoteca do Estado de São Paulo (31 agosto - 05 outubro, 2003). Torres-Garcia é considerado um dos mais importantes artistas da América do Sul e, na sua terra natal, o mais reconhecido precursor das vanguardas uruguaias. A obra Construtivo (1931, óleo/ tela, 78 x 68 cm., coleção particular, Nova York), se encontra reproduzida (DUROZOI, 1992); sua obra Sem Título (1938, guache/ cartão/ madeira, 81 cm x 43 cm. na Galeria Albright-Knoxx, Buffallo, EUA), encontra-se reproduzida (TURNER, 2000). A obra de Torres-Garcia, Construcción en blanco y Negro (1931, óleo/ madeira), esteve em exposição no setor Abstração e Informalismos, na mostra Latitudes: Mestres Latino-Americanos na Coleção FEMSA, e se encontra reproduzida no folheto da exposição. O Museu de Belas Artes (MFAH - Texas) inaugurou mostra retrospectiva de Joaquín Torres-García organizada por Mari Carmen Ramírez da Fundação Wortham, curadora de Arte Latino-Americana no MFAH (06 setembro- 29 novembro, 2009). A exposição apresentou 12 pinturas das coleções particulares texanas, complementadas com a mostra, também curada por Ramirez, Joaquín Torres-García: Abstrações Construídas com Madeira [Joaquín Torres-García: Constructing Abstraction with Wood], apresentada na Coleção Menil (Texas), com a colaboração do MFAH, que expôs mais de 80 obras do artista executadas em madeira (25 setembro, 2009). Essas duas mostras complementares foram as primeiras a apresentarem, depois de 40 anos, a obra de Joaquín Torres-García nos Estados Unidos. Hoje, na América, o artista e teórico da arte uruguaio é considerado um dos maiores expoentes da vanguarda internacional. REFERÊNCIAS SELECIONADAS: ADES, D. Art d'Amerique Latine, 1911-1968. Paris: Museé National d'Art Moderne, Centre Georges Pompidou, 1992, pp. 326, 514, 515. CHIARELLI, T. Novecento Sudamericano: Relações Artísticas entre Itália, Argentina, Brasil e Uruguai. São Paulo: Instituto Italiano de Cultura - Pinacoteca do Estado de São Paulo, 2003. DUROZOI, G. Dictionaire de l'art moderne et contemporain. Sous la direction de Gérard Durozoi. Paris: Fernand Hazam, 1992. 676p.: il., p. 622. GROVE, .E.; TURNER, J. (ed.). Encyclopedia of Latin American and Caribbean Art. New York: Jane Turner and Grove, 2000. 782p., 40p. de lâminas color.: il., mapas., , plate XXXIX. (Grove Encyclopedias of the Art of Americas, 2 v.). Latitudes: Mestres Latino-Americanos na Coleção FEMSA. São Paulo: Instituto Tomie Ohtake, 12 fevereiro – 05 abril, 2009. MFAH Showcases a Dozen Paintings by Avant-Garde Painter Joaquín Torres-Garcia. Art Knowledge News - Keeping You in Touch with the World of Art... Retrieved from: "Art News" signups@artknowledgenews.com Acessed in: January 02, 2011. KALENBERG, A. A Vanguarda no Uruguai: Barradas e Torres-Garcia. Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil, 1996, pp. 22-24. LÉVÊQUE, J-J. Le triomphe de l'art moderne: les Anées Folles. Paris: A. C. R. Éd. Internationalles, 1992. 624p.: il., retrs., p. 441.

BIOGRAFIA: CHARCHOUNE, Serge (1888-1957).

BIOGRAFIA: CHARCHOUNE, Serge (1888-1957). Artista plástico, pintor e editor radicado na França, Charchoune nasceu em Bougourouslan (Rússia) e morreu em Villeneuve-Saint-Georges (França). Depois que o artista se inscreveu e foi recusado pela Academia de Belas Artes (Kazam), Charchoune viajou para Moscou (1905). Depois de desertar do exército russo, Charchoune foi viver em Paris, onde frequentou várias academias livres de arte (1912). O artista seguiu os cursos de Jean Metzinger (1883-1957), Henri Le Fauconnier (1881-1946) e André de Segonzac (André Albert Marie Dunoyer de Segonzac Segonzac 1884-1974). Charchoune expôs suas obras pela primeira vez no Salão dos Artistas Independentes (1913). Durante a Primeira Guerra Mundial, Charchoune passou período exilado na Espanha (1914-1917), onde encontrou grande parte das vanguardas artísticas francesas emigradas, que se reuniam nos concorridos salões do casal Robert e a russa Sonia Terk Delaunay, que vivia em Barcelona. Na época, Charchoune criou seu conceito de Cubismo Ornamental, com manifesta influência da arte mourisca hispânica; ele expôs na sua primeira mostra individual (Paris, 1916). Quando Charchoune se associou ao movimento Dadaísta (Paris, 1920-1923), com o poeta romeno Tristan Tzara (Sami Rozenstok, 1896-1963), chamado por André Breton (1896-1966), tornou-se um dos ativistas quando expôs suas obras na livraria da rua Dauphine (1920). Charchoune posteriormente se associou ao Grupo do Purismo, liderado por Amedée Ozenfant (1886-1966) e ao arquiteto e artista multimídia suíço Le Corbusier (Charles Édouard Jeanneret, 1887-1965). Charchoune participou da mostra inaugural do grupo (1921), mas depois se afastou de todos os movimentos de vanguarda para dedicar-se somente à sua pesquisa pessoal (1929-), O artista passou a pintar ouvindo música clássica, sob inspiração da qual produziu belas Abstrações, que apresentaram inegáveis qualidades plásticas, pinturas inspiradas na música de Bach ou de Beethoven, entre outros compositores. Charchoune pintou fantasias simbólicas de inegável delicadeza nas suas modulações monocromáticas e as obras do artista se tornaram exercício espiritual, que repercutia no olhar de quem as contemplava, como um dos melhores exemplos da pintura, dita. Purista. Em meados da década de 1980, uma das Abstrações características de Charchoune, inspirada na música clássica, participou da mostra da Escola de Paris (MAM – Rio de Janeiro, c. 1985). Charchoune expôs suas pinturas em mostra individual, na Galeria da Tempestade [Der Sturm] (Berlim, 1922); obras do artista participaram de inúmeras mostras internacionais, em Barcelona, Estocolmo, Bruxelas, Nova York e Praga. O artista tornou-se membro do Grupo da Arte Concreta Círculo e Quadrado [Cercle et Carré] (1930-1932), quando suas obras participaram da 1ª Exposição Internacional do Grupo Círculo e Quadrado [1ère Exposition Internationale du Groupe Cercle et Carré] realizada na Galeria 23 (rua de La Boétie 23, Paris, 18 abril - 30 maio, 1930; v.). Charchoune expôs suas pinturas em várias mostras individuais na Galeria Creuze (Paris, 1947-1956). REFERÊNCIAS SELECIONADAS: SEUPHOR, M. Dictionaire de la peinture abstraite: precédé d´une histoire de la peinture. Paris: Fernand Hazam, 1957. 305p.: il., p. 147. SEUPHOR,V M. Nouveau Dictionaire de la Peinture Moderne. Paris: Fernand Hazam, 1963. 300p.: il., p. 187. A Escola de Paris. Rio de Janeiro: Museu de Arte Moderna - Sociedade de Amigos do Museu, sd, p. 78.

BIOGRAFIA, MARCOUSSIS, Louis: Ludwig Casimir Markus (1883-1941).

BIOGRAFIA, MARCOUSSIS, Louis: Ludwig Casimir Markus (1883-1941). O artista nasceu em Varsóvia (Polônia) e morreu em Cusset (França). Marcoussis viveu em Paris, onde estudou no ateliê de Jules Lefèvre (1903): suas obras vanguardistas foram marcadas pelos movimentos do Fauvismo e Impressionismo. Depois que Marcoussis conheceu Georges Braque (1885-1963) e Guillaume Apollinaire (1880-1918), suas pinturas se voltaram para o Cubismo (1910), mas o artista demonstrou constante preocupação com a preservação do valor da luz no seu cromatismo. Obras de Marcoussis participaram do Salão de Outono (1910-) e dos salões do Grupo Cubista, da dita, Seção de Ouro [Section d' Or] (1912-1914). O Cubismo de Marcoussis foi experiência pessoal, utilizando suave monocromatismona absorção de várias tendências, não ortodoxo no sentido de seguir o padrão clássico, presente nas obras de G. Braque e de P. Picasso. A primeira esposa de Marcoussis se transformou na grande paixão de Pablo Picasso, com quem ela foi viver. Picasso celebrou seu amor por Marcelle, em muitos quadros como Minha Bela [Ma Jolie]: ela morreu jovem (gripe, 1914) e deixou Picasso desolado. Na década de 1930 Marcoussis dedicou-se a gravura, através de obras pós-cubistas (1931-1937), influenciadas pela Pintura Metafísica de Giorgio De Chirico (1888-1978) e Carlo Carrà (1881-1966). Quatro pinturas de Marcoussis estiveram em exposição na II Bienal de São Paulo (1953): O Sacre-Coeur (1910, 27 cm x 25 cm, no acervo da Galeria Berri, Paris); O Bar do Porto (1913, 82 cm x 66 cm, no mesmo acervo. da Berri, Paris); e duas obras da coleção de Mme. Bourdon (Paris): Natureza-Morta (1914) e O Violão (1918). Outra obra do artista, a Abstração pintada sob o efeito da música clássica, esteve em exposição na mostra da Escola de Paris, no MAM (Rio de Janeiro, 1985). REFERÊNCIAS SELECIONADAS: CATÁLOGO. Le sexe dans l'art. Paris: MNAM - Centre Georges Pompidou, 1996, p. 195. CATÁLOGO. A Escola de Paris. Rio de Janeiro: MAM - SAM/ Sociedade dos Amigos dos Museus (ed.), s/d, (c. 1985), p. 53. CATÁLOGO GERAL. II Bienal do Museu de Arte Moderna de São Paulo. DORIVAL, Bernard. Delegação organizada pela Association Française d'Action Artistique. São Paulo. São Paulo: EDIAM, 1a Edição, dezembro de 1953, p. 63.

Sunday, June 14, 2015

BIOGRAFIA: EKSTER, Aleksandra Aleksandrovna (1882-1949).

BIOGRAFIA: EKSTER, Aleksandra Aleksandrovna (1882-1949). A artista nasceu em Belostok, na Rússia e estudou na Escola de Arte (Kiev, 1901-1903; 1906). Ekster passou a expôr suas obras nas mostras da Nova Sociedade dos Artistas (1908; 1909); no Salão Vladimir Izdebsky (1910; 1911); e nos salões da associação de artistas União da Juventude [Soyuz Molodhesi] (São Petersburgo, 1910-1914). Ekster passou longo período vivendo em Paris, onde estudou arte na Academia A Paleta, de Henri Le Fauconnier (1881-1946) e Jean Metzinger (1883-1956), quando frequentou as vanguardas francesas. Ekster tornou-se amiga de artistas como Georges Braque (1882-1962) e Pablo Picasso (1881-1972), entre outros pintores da escola Cubista; com os mesmos frequentou os cafés e a Academia de La Grande Chaumière. Por esta época (1912) outras artistas russas encontravam-se também estudando na mesma Academia A Paleta, como Lyubov Popova (1889-1924) e Nadeshda Udaltsova (1885-1961). Voltaram todas a seu país, mais ou menos na mesma época; Ekster participou ativamente das mostras do grupo vanguardista Valete de Diamantes [Bubnovy Valet], apresentando obras em conjunto com artistas das vanguardas francesas, convidados pelo grupo russo. Estas exposições promoveram intenso intercambio cultural anual entre as vanguardas (janeiro, 1912-1915). Devido aos conflitos da I Guerra Mundial, nas duas últimas mostras do grupo apresentaram-se somente artistas russos (1916; 1917). Ekster continuou expondo: no salão Tranvia V, dito, Primeira Mostra Futurista (1915); no Armazém (1916), mostra organizada por Vladimir Tatlin (1885-1953); na 5x5=25 (1921), entre outras. Ekster também participou de importantes mostras parisienses: suas obras foram incluídas nas mostras do grupo Cubista da Secção de Ouro [Section D'Or], realizada na Galerie La Boétie (30 outubro, 1911); participou do XXX Salão dos Artistas Independentes (1914); da mostra itinerante Modelos, Cenografia e Figurinos do Teatro de Câmera (Paris – Berlim, 1923); e suas obras participaram da controversa representação soviética à Bienal de Veneza (1924). Foi Ekster quem decorou o Teatro de Câmara, de Alexandre Tairov (1885-1950), inaugurado com a peça Thamira, drama de I. F. Annensky com cenografia e figurinos da artista (Moscou, 1916). Para o mesmo teatro Ekster criou cenários e figurinos para a peça Salomé (1917), de Oscar Wilde (1854-1900); ela criou os cenários e figurinos para Romeu e Julieta (1921), de William Shakespeare (batizado, 1583-1616), todas dirigidas por Alexandre Tairov. A artista realizou cenografias também para o MchAT - Teatro de Arte de Moscou. Ekster participou do movimento do Construtivismo soviético(1921-), junto com vários outros artistas como Alexandre Rodchenko (1891-1956) e Gustav Klutsis (1895-1938). Ekster ensinou Pintura e Cenografia nos SVOMAS - Ateliês Estatais Livres de Arte (1918-1920); ela desenhou pavilhões de exposições como o Izvestia TsIK, projeto conjunto com Vera Mukhina (1889-1953), que introduziu elementos de linhas dinâmicas em novos materiais. A artista criou projeto extremamente vanguardista para a Exposição da União de Todas Agriculturas, obra cuja fotografia encontra-se reproduzida (KRENS, 1992). Ekster tornou-se professora do curso bássico do VKhUTEIN - Instituto Superior de Arte e Técnica, quando ensinou Teoria da Cor (Moscou, 1920-1922). A artista emigrou difinitivamente para a França juntamente com Fedor Ozep (Fyodor Aleksandrovih Otsep, 1895-1949), e ambos criaram cenários para o filme Aelita (1924), dirigido por Yacov Alexandrovich Protazanov (1881-1945). No ocidente Ekster é considerada a mais talentosa cenógrafa russa do século XX: todos os seus cenários para teatro foram extremamente vanguardistas, despojados de qualquer enfeite elaborado, utilizando espaços amplos e formas geométricas, aproveitando de forma inteligente os espaços cênicos, integrando todo o palco na cena teatral. Ekster foi homenageada com várias mostras póstumas internacionais com Exposição Retrospectiva, na Galeria Jean Chauvelin (Paris, 1972); a individual Alexandra Exter, Judia Sóviética (Moscou, 1988). A artista participou das mostras coletivas Arte e Revolução (Tóquio e Osaka, Japão, 1982); da Os Pintores e o Teatro do Século XX (Frankfurt, Alemanha; e Avignon, França, 1986); da Futurismo e Futurismos, no Palácio Grassi (Florença, 1986), que publicou primoroso catálogo ilustrado com várias reproduções das obras cenográficas e pictóricas da artista; da exposição Rússia 1900-1930, Arte Cenográfica (1990) e Alexandra Exter e o Teatro de Câmera (1991), ambas realizadas na Galeria Electa (Milão); da A Grande Utopia: A Vanguarda Russa e Soviétia, 1915-1932 (1992), no Schirn Kunsthalle (Frankfurt, Alemanha), itinerante ao Museu Stedelijk (Amsterdã, Holanda) e ao The Solomon R. Guggenheim Museum (Nova York), que também publicou primoroso catálogo com reproduções de suas obras; e participou da mostra A Vanguarda Russa, 1905-1925, Obras-Primas dos Museus Russos [L'Avant Garde Russe, 1905-1925, Chefs d'Oeuvre des Musées du Russie], no Museu de Belas Artes (Nantes, França, 1993), itinerante à Fundação Central Hispano (Madrid, 1993), que publicou catálogo com reproduções de obras da artista. REFERÊNCIAS SELECIONADAS: CATÁLOGO. ATTI, F. C. degli; FERRETTI, Daniela (Org.). Rusia, 1900-1930, L'Arte della Scenna. Milano: Galeria Electa. Moscou: Museu Bachrusín, 1990, p. 138. HELLER, N. Women Artists: an Illustrated History. 3a ed. New York - London - Paris: Abeville, 1997, p. 125. CATÁLOGO. KRENS, T.; GOVAN, M.; GUSEV, V.; PETROVA, E.; KOROLEV, I. WEBER, J.; GRASSNER, H.; LODDER, C.;.WEBER, J. The Great Utopia: The Russian and Soviet Avant-Garde, 1915-1932. Shirn Kunsthalle, Frankfurt: 01-10 May, 1992. Stedelijk Museum, Amsterdam; Salomon R. Guggenheim Museum, New York. New York: Salomon R. Guggenheim Museum, Rizzoli, 1992, 732 p.: il., pp. 40-45. CATÁLOGO. WILLIAMS, W. J.: BESSONOVA, M.; KOSTENEVICH, A. Impressionism and Post-Impressionism. Leningrad: The Hermitage. Moscow: The Pushkin Museum of Fine Arts. Washinghton D.C.: The National Gallery of Art. New York: Hugh L. Levin, 1986. Leningrad: Aurora Art Publishers, 1986, pp. 268-288.

BIOGRAFIA: STANISLAVSKY, Konstantin; Konstantin Sergeievich Alexeyev (1863-1938).

BIOGRAFIA: STANISLAVSKY, Konstantin; Konstantin Sergeievich Alexeyev (1863-1938). O revolucionário diretor teatral nasceu e morreu em Moscou (Rússia). Stanislavsky descendia do inventor do sistema especial de tecelagem com fios de ouro, que produzia tecidos usados pela nobreza russa, invenção que, durante cinco gerações permitiu o enriquecimento de sua família, que se tornou proprietária de industrias do ramo têxtil. Desde o liceu Stanislavsky se interessou pelo teatro, atuando como ator em algumas peças: o artista foi admitido na Escola do Teatro Imperial (1885), mas não suportou a formalidade do ensino e abandonou o curso em poucas semanas. O artista passou a trabalhar nos escritórios da indústria têxtil de sua família e passou a fazer frequentes visitas à cidade de Lyon (França). Nessa cidade francesa, ativo centro da indústria têxtil, produtor de tecidos de altíssimo luxo como sedas e brocados, Stanislavsky passou a frequentar os teatros. O jovem sentiu nascer sua vocação, o que deu-lhe a idéia de ingressar no Conservatório de Paris, que, no entanto, não admitia alunos estrangeiros. Stanislavsky frequentou-o como aluno ouvinte livre, mas também ficou decepcionado com a formalidade do ensino. O futuro ator e diretor cênico voltou à Rússia, onde logo estreou como diretor teatral na peça de autoria de Léon Tolstoi (Lev Nicolaevich Tolstoi, 1828-1910), Os Frutos da Instrução (1891). Na época que começou a atuar Konstantin adotou o pseudônimo de Stanislavsky: ele fundou, juntamente com o escritor Vladimir Nemirovich-Danchenko (1858-1943), o MChAT - Teatro de Arte de Moscou, responsável por promover o renascimento da cena teatral russa (1898-). O repertório escolhido pelo diretor foi internacional, beneficiou a temática do Realismo Social de autores como Maxim Gorki (1868-1936), que escreveu 20 peças e estreou no MChAT com produções como As Profundezas e Os Filistinos (1902). No Teatro de Arte de Moscou foi encenada A Vida do Homem, de Leonid Andreyev (1879-1919); e o MChAT revelou Anton Tchekov (1860-1904), de quem produziu as peças Tio Vanya (1899), As três Irmãs (1901) e O Pomar das Cerejeiras (1904), além de, no mesmo ano, encenar Júlio César, de William Shakespeare; e peças como Drama da Vida, de autores nórdicos como Knut Hamsun (1859-1952) e O Pássaro Azul (1908), do belga Maurice de Maeterlinck (1862-1949). Stanislavsky recebeu a classificação de Realista, mas nem sempre o foi: na encenação da peça de Maeterlinck, com cenários pintados por Egorov, o diretor traduziu o movimento do Simbolismo poético no sentido da mais sedutora irrealidade. Stanislavsky desenvolveu seu método diferenciado de formação do ator, até hoje conhecido como o Método Stanislavsky, que introduziu o ator no cenário da vida real, ensinando-lhe a comportar-se em cena como um ser vivo e não mero copista de modos e atitudes comportamentais exteriorizadas. O método de Stanislavsky baseou-se em três elementos principais: o mais profundo respeito pelas intenções do autor; o treinamento rigoroso dos atores na análise e expressão do caráter do personagem, da forma mais verdadeira possível; e a subordinação da performance individual de cada ator integrado ao conjunto da obra teatral. O seu método foi amplamente utilizado no ensino da arte de representar dos atores das vanguardas, tanto do teatro como do cinema internacionale ajudou a formar várias gerações de atores e atrizes destacados no século XX. No anexo ao MChAT, Stanislavsky fundou com Vsevolod Meyerhold (Vsevolod Emilovich Meyerhold: Karl Theodor Kasimir Meiergold, 1874-1942), o Teatro-Estúdio (1905), que se transformou no verdadeiro laboratório de ensino e de criação teatral, formando excelentes atores. No entanto, Stanislavsky e Meyerhold divergiram, e, no mesmo ano esse estúdio experimental fechou. O Teatro de Arte de Moscou continuou ainda ativo durante alguns anos, com a reputação de ser voltado para a representação completa dos estados de alma, onde todos os elementos, desde a decoração dos cenários aos figurinos e a atuação dos atores mergulhavam em uníssono no mesmo compasso, na mais completa harmonia. Na era de Iósif Stalin, Stanislavsky, bem como Meyerhold, cairam em desgraça. No seu leito de morte, Stanislavsky reconheceu Meyerhold como o único merecedor de ser seu legítimo herdeiro na arte teatral, assegurando seus ensinamentos para a posteridade. Grandes ensinamentos de Stanislavsky foram publicados no livro que se encontra traqduzido (STANISLAVSKI, C.; LOGAN, J. (Pref.) A Construção da Personagem. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1976). REFERÊNCIAS SELECIONADAS: ENCICLOPÉDIA. CASSOU, J.; BRUNEL, P.; CLAUDON, F; PILLEMONT, G.; RICHARD, L. (Col.). Petite Encyclopedie du Symbolisme: Peinture, Gravure et Sculpture, Littérature, Musique. Paris: Somogy, 1988, pp. 271-272. ENCICLOPÉDIA. FENNELL, J.; KASER, M.; WILLETS, H. T. The Cambridge Encyclopedia of Russia and The Soviet Union. Cambridge: Cambridge University Press, 1982, pp. 243-244.

BIOGRAFIA: ILINE, Vladimir; Vladimir Sergeievich Iline (1892-1971).

BIOGRAFIA: ILINE, Vladimir; Vladimir Sergeievich Iline (1892-1971). Ator vanguardista russo, cultor do corpo, pintor e cineasta, Iline aderiu ao sistema do Príncipe Sergey Mikhailovich Volkonsky (1860-1937), que promoveu estudos aprofundados sobre a atuação do ator no palco. Citando ALBERA (2002: 147 n. 399): [...] Em 1912-13, Volkonsky publicou artigos e livros inspirados na rítmica do Jacques-Dalcroze e do fisiognomonista François Delsarte e traduziu A Arte e o Gesto de Jean di Udine, dalcroziano e bergsoniano, que considera o corpo humano máquina, cujos movimentos devem ser segmentados. Como revelou recentemente Michel Iampolski, a concepção do ator de Kuleschov provém diretamente de Iline e Gardine. [...]As pesquisas de Iline nos agradavam muito [...] ele era um admirador entusiasmado da escola de Delsarte e a aplicava em nossos trabalhos. Além disso, ele próprio a desenvolveu e aperfeiçoou [...] O fisiognomonista François Delsarte (1811-1871), ainda hoje considerado lenda no seu país, a França, desenvolveu antes do russo Konstantin Stasnislavsky (1863-1938) o método que associava os movimentos de atores com suas mais profundas experiências emocionais. Sergey Diaghilev (1872-1929), empresário da Cia. Teatral S. P. Diaghilev promotora dos Balés Russos (Paris, 1909-1929), visitou pela segunda vez a Escola Eurítmica do suíço Émile Jacques-Dalcroze (1865-1950), situada em Hellerau (1912). Diaghilev viajou acompanhado pelo principal bailarino de sua companhia, Vaslav Nijinsky (1889-1950): ambos foram buscar ensinamentos que permitissem completar a encenação do balé A Sagração da Primavera, com música de Igor Stravinsky (1882-1971), cuja coreografia foi considerada dificílima. O resultado prático dessa viagem foi que a companhia contratou a aluna de Dalcroze, Miriam Rambert (1888-1892), que se tornou conhecida no mundo internacional da dança como Marie Rambert. Depois que Diaghilev faleceu e a companhia dele se dispersou (1929), Rambert criou o Balé Clube [Ballet Club]; nessa fase, outra das contratadas da companhia russa, a bailarina Ninette de Valois fundou o Balé Vic-Wells [Vic-Wells Ballet]; posteriormente ambos se fundiram para formar o conhecido Balé Sadler’s Wells [Sadler-Wells Ballet], que se transformou e se subdividiu no Balé Real [Royal Ballet] e no Balé Rambert [Ballet Rambert] (Londres). Todas essas companhias de dança absorveram os princípios fundamentais dos Balés Russos, de Diaghilev. No verão de 1923 o cineasta Sergey Eisenstein (1898-1948) e Sergey Tretiakov (1892-1939), conheceram Rudolph Bode (1881-1970), antigo aluno do cultor do movimento, o suíço Émile Jacques-Dalcroze (1865-1950). Bode foi autor de vários livros sobre o movimento como Ginástica de Expressão [Ausdruck gÿmnastik] (Munique, 1922. 1926) e Antiga e Nova Pedagogia (Breslau, 1923), nos quais, de acordo com ALBERA (2002: 134, n. 230): [...] repudiava Jacques Dalcroze como partidário de uma "ginástica métrica" [...] e que Bode [...] rejeitou violentamente a concepção "euritmica" deste, depois de ter fundado, em 1921, um ateliê de estudos do movimento humano, em Munique. Bode queria substituir uma "ritmica orgânica" por exercícios que dissociassem os movimentos corporais [...] Mais tarde Eisenstein defendeu Jacques-Dalcroze, pois considerou-o "orgânico" (Perspectivas, 1929); e, no texto impublicado, O Movimento Expressivo, de Tretyakov e Eisenstein, os autores recorreram com liberdade aos ensinamentos de Bode, que respondia a certos impasses da doutrina construtivista, tanto no teatro como na dança(1923). REFERÊNCIAS SELECIONADAS: ALBERA, F. Eisenstein e o construtivismo russo - A dramaturgia da forma em "Stuttgart". Tradução de Eloisa Araújo Ribeiro. São Paulo: Cosac e Naify, 2002, pp. 19, 134 n. 220, 147 n. 334. François Delsarte.From Wikipedia, the free encyclopedia. This page was last modified on 30 April 2015, at 23:20. Retrieved from: https://en.wikipedia.org/wiki/Fran%C3%A7ois_Delsarte Acessed in: June 15, 2015. Émile Jaques-Dalcroze.From Wikipedia, the free encyclopedia. This page was last modified on 2 May 2015, at 04:10. Retrieved from: https://www.google.com.br/search?q=Jacques-Dalcroze+%281865-1950%29&hl=pt&gbv=2&oq=&gs_l= Acessed in: June 15, 2015. SHEAD, R. Ballets Russes. Secaucus, New Jersey: Quarto Book, Wellfleet Press, 1989. 192p.: Il,.algumas color., pp. 63, 169.

BIOGRAFIA: IDELSON, Vera (1893-1977).

BIOGRAFIA: IDELSON, Vera (1893-1977). Artista plástica e cenógrafa russa, Idelson foi educada em Moscou, onde se associou aos círculos teatrais vanguardistas liderados por Aleksandra Ekster (1882-1949), Alexander Tairov (1885-1950) e Vsevolod Meyerhold (1874-1940). Idelson viveu em Berlim (1922-1923), onde pertenceu ao Futurismo, liderado nessa cidade alemã pelo escritor italiano Ruggero Vassari (1898-1968). Vassari manteve o dito, Centro Internacional dos Artistas, que publicava a revista mensal Der Futurismus [O Futurismo] (Berlim, 1922-1923). Vassari publicou várias peças teatrais de sua autoria, como Três Vasos Vermelhos (Tre vazzi rossi, 1921), A Máscara do Impotente (La Mascherata degli impotenti, 1923); e A Angústia da Máquina (L'angoscia della macchina, 1925), sendo esta tragédia em três atos, cujos cenários e figurinos mecânicos e Construtivistas foram criados por Vera Idelson. Essa peça estreou no Teatro de Arte e Ação (Paris, abril de 1927) e, no mesmo ano, Idelson desenhou os cenários e figurinos para o Teatro da Pantomima Futurista, de Enrico Prampolini (1894-1956). Os italianos apresentaram-se nesse espetáculo no Théâtre de la Madeleine (Paris, 1927). O ator Luciano Folgore (Omero Vecchi,1888-1966) se apresentou com a música de Franco Casavola (1891-1955), acompanhado do instrumento Futurista, dito, Entoarumor ou Rumorharmônio [Intonarumori], criado e patenteado pelo músico e pintor italiano Futurista Luigi Russolo (1885-1947). A performance foi apresentada pela bela atriz Maria Ricotti. Na década de 1930 Idelson aderiu ao Grupo (Internacional) Parisiense Círculo e Quadrado [Cercle et Carré] (1929-1931) e suas obras participaram da 1ª Exposição Internacional do Grupo Círculo e Quadrado [Ière Exposition Internationale du Groupe Cercle et Carré], realizada na Galeria 23, sita no n. 23 da rua de La Boétie (Paris, 18 abril - 30 de maio, 1930). Esta foi a segunda mostra internacional mais importante das vanguardas européias, pois reuniu 130 obras de c. 54 artistas, destacados internacionalmente, muitos húngaros, poloneses, russos e tchecos, associados às vanguardas alemãs e francesas, além de outras. Esta segunda mostra foi organizada pelo editor e artista Michel Seuphor (1901-1999), associado aos artistas Auguste Herbin (1882-1960), ao Construtivista uruguaio Joaquín Torres-Garcia (1874-1949) e, certamente, com o concurso de Wassily Kandinsky (1866-1944), russo que Seuphor admirava e de quem publicou os livros na França. A primeira mostra organizada por Wassily Kandinsky foi o Salão de Outono Alemão [Herbstsalon] (v.). Esta foi a primeira coletiva européia que reuniu a maioria dos mais importantes vanguardistas, por influência do russo Kandinsky principal mentor do Grupo (Internacional) do Cavaleiro Azul [Der Blaue Reiter] (v.), que, na ocasião, publicou a segunda edição do Almanaque do Cavaleiro Azul patrocinada pelo grupo editorial da Tempestade [Der Sturm], com 6000 exemplares lançados nessa mostra inaugurada na Galeria da Tempestade (Berlim, 12 março de 1913-). REFERÊNCIAS SELECIONADAS: CATÁLOGO. HULTEN, P. (ORG.); JUANPERE, J.A.; ASANO, T.; CACCIARI, M.; CALVESI, M.; CARAMEL, L; CAUMONT, J; CELANT, G; COHEN, E.; CORK, R.;CRISPOLTI, E.; FELICE, R; DE MARIA, L.; DI MILLIA, G.; FABRIS, A.; FAUCGEREAU, S.; GOUGH-COOPER, J.; GREGOTTI, V.; LEVIN, G.; LEWISON, J.; MAFFINA, F.; MENNA, F.; ÁCINI, P.; RONDOLINO, G; RUDENSTINE, A.; SALARIS, C.; SILK, G.; SMEJKAI, F.; STRADA, V.; VERDONE, M.; ZADORA, S. Futurism and Futurisms. New York: Solomon R. Guggenheim Museum, Abeville Publishers, 1986. 638p.: il, retrs., pp. 488, 543, 596.

BIOGRAFIA: POLLIAKOFF, Serge (1906-1969).

BIOGRAFIA: POLLIAKOFF, Serge (1906-1969). Poliakoff nasceu em Moscou, mas bem jovem foi viver em Paris (1923-); o artista naturalizou-se francês (1962). Poliakoff estudou na Escola de Arte Chelsea e na Escola de Arte Slade (Londres, 1935-1937). Anteriormente o artista fez frequentes viagens através da Rússia, entre outros países, até a época conturbada da Revolução Russa (1917). O pai de Poloakoff possuía haras de criação de cavalos de raça e o futuro artista viveu juventude de anos dourados. Depois do advento do regime socialista, Poliakoff viajou, foi encontrar-se com sua tia, cantora conhecida que vivia em Constantinopla (Grécia, 1917-1924). Poliakoff visitou Belgrado, Sófia, Berlim e finalmente instalou-se em Paris; nesta viagem acompanhou sua tia tocando guitarra, até começar a pintar. O artista costumava pintar suas abstrações enquanto escutava música; suas obras pictóricas foram muito influenciadas pela abstração lírica de Wassily Kandinsky (1866-1944), Robert Delaunay (1885-1941) e Otto Freundlich (1878-1943). Na década de 1930, Poliakoff participou do Grupo (Internacional) Parisiense Círculo e Quadrado [Cercle et Carré] (1929-1931) e suas obras participaram da 1ª Exposição Internacional do Grupo Círculo e Quadrado, realizada na Galeria 23, sita no n. 23 da rua de La Boétie (Paris, 18 abril - 30 de maio, 1930), do Salão dos Artistas Independentes, do Salão de Outono, bem como expôs suas obras em várias galerias parisienses. Na década de 1940 Poliakoff participou de várias mostras coletivas internacionais e do Grupo das Novas Realidades [Realités Nouvelles] e do Salão de Maio (1946). Poliakoff expôs em mostra individual na Galeria Denise René, uma das mais conhecidas galerias (Paris, 1947). Obra de Poliakoff esteve no Brasil na coletiva da Escola de Paris, no MAM - RJ, em meados da década de 1980. A obra e fotografia do artista com outros colegas no Ateliê de Arte Abstrata, bem como a fotografia do artista na mostra O Movimento [Le Mouvement], na Galeria Denise René, encontram-se reproduzidas (RAGON, 1992); sua obra Composição (1953) encontra-se reproduzida (SEUPHOR, 1957). REFERÊNCIAS SELECIONADAS: LUCIE-SMITH, E. Art Today. Oxford: Phaidon Press, 1977. 417p.: il., retrs., p.100. NÉRET, G. 30 ans d'art moderne: peintres et sculpteurs. Fribourg: Office du livre, 1988. 248p. il., pp. 72,73. RAGON, M..Journal de l´Art Abstrait. Genève: Skira, 1992. 163p: il., pp. 74-75, 83. SEUPHOR, M. Dictionaire de la peinture abstraite: precédé d´une histoire de la peinture. Paris: Fernand Hazam, 1957. 305p.: il., pp. 243-244.

Wednesday, June 10, 2015

1927-1934-VANGUARDAS POLONESAS: GRUPO DO UNISMO [UNIZM] (Lodz, Polônia, c. 1927-1934).

VANGUARDAS POLONESAS: GRUPO DO UNISMO [UNIZM] (Lodz, Polônia, c. 1927-1934). Destaques: STRZHEMINSKI, Wladislaw, Katarzyna KOBRO e Henryk STAZEWSKI. O Unismo polonês derivou da vanguarda estabelecida na Rússia por Kazimir Malevich (v. Suprematismo): ele nasceu na Ucrânia, mas os poloneses o reivindicam até hoje como artista nacional com o nome de Kazimiers Malewicz. O artista foi professor de Wladislaw Strzheminski (1893-1952) e Katarzyna Kobro (1898-1951), em Vitebsk (Ucrânia), que convidaram-no para visitá-los em Varsóvia. Essa foi a única viagem de Malevich ao Ocidente, quando o artista levou consigo substancial mostra retrospectiva de suas obras Suprematistas, que formaram o núcleo principal que despertou posteriormente o interesse por suas obras, particularmente depois de sua apresentação no Museu Steddelijk (Amsterdã). A teoria Suprematista de Malevich, O Mundo Não Objetivo [Die gegenstandslose Welt] (München: Bauhausbuch n. 11, Langen Verlag, 1928), foi a única publicação do artista, até então, no exterior, se bem que Malevich publicasse seus escritos e teorias desde 1915 (MILNER, 2009). Em Varsóvia, Malevich encontrou os vanguardistas do Grupo dos Oito [BLOK] (1924-1926) e foi homenageado pelas vanguardas polonesas com banquete (1927). Os artistas W. Strezheminski, K. Kobro e Henryk Stases (1894-1988) formaram o Grupo (Polonês) do Unismo, que recebeu muito da contribuição do Monocromatismo de Malevich (v. Técnicas na Arte: Pintura Monocromática). Strzheminski produziu obras monocromáticas pesadamente texturizadas, enquanto que Stazewski explorou divisões geométricas na superfície de suas obras; e Kobro executou construções que se aproximavam da divisão planar dos espaços arquitetônicos (MILNER, 2009). Strzheminski lembrou-se das formas, evocando que o círculo lembra o sol e a lua; e sua linha contínua mostrou formas próximas da senóide e da cosenóide, na obra característica do Unismo, a Composição Unista 13 (Strzeminski, 1934), que se encontra reproduzida (RAGON, 1992: 36). Strzheminski pintou pouco mais que uma dúzia de quadros na estética do novo movimento, sua própria variante da Arte Não Objetiva, que introduziu o monocromatismo na Abstração de linhas curvas e sinuosas. O Unismo polonês desejava criar estética totalmente inovadora, pintura que não fosse parecida com nada nem que lembrasse nada, rejeitando, deste modo, parte do aprendizado obtido com Malevich. As obras Unistas não foram assinadas. Strzeminski publicou seu manifesto Unismo na Pintura (1929); depois que o artista pintou c. de dúzia de quadros, ele parou de pintar nessa estética, por achar que tinha alcançado o limite do possível para que cada um de seus quadros expressasse estética diferente dentro da mesma teoria. Stazewski, outro artista do grupo, inspirado na obra de Malevich Branco sobre Branco, pintou o quadro inteiramente branco, absolutamente monocromático (1934). O polonês alcançou a estética do monocromatismo antes que Yves Klein, o Monocromático, com seus quadros característicos da década de 1960. Os poloneses Stazewski e Berlewi, e o russo Strzheminski fundaram anteriormente o Grupo dos Oito [Blok] (c. 1924-1926). Strzeminsky organizou, mais tarde, o grupo Praesens e o A. r./ Artistas revolucionários (v.), todos em Varsóvia, onde o artista viveu (1922-1929). REFERÊNCIAS SELECIONADAS: ENSAIO. MILNER, John. Arte, Guerra y Revolucion. Apud CATÁLOGO. LODDER, C., MILNER, J.; BASNER, E.; DJAFÁROVA, S. (Biogr.). La Vanguardia Rusa, 1905-1925 en Las colecciones de los Museos Rusos. Madrid: Fundación Central Hispano, Fondación ELF, 1993. 295p.: il., color. RAGON, M. Journal de l´Art Abstrait. Genève: Skira, 1992. 163p: il., p. 36.

1922-1933-TEATRO JOVEM [MOLODY TEATR] OU DO TEATRO BEREZYL [BEREZYL TEATR] (Kyiv; e Karkhiv, capital da Ucrânia, quando seu território pertencia à URSS, novembro 1922-1933).

TEATRO JOVEM [MOLODY TEATR] OU DO TEATRO BEREZYL [BEREZYL TEATR] (Kyiv; e Karkhiv, capital da Ucrânia, quando seu território pertencia à URSS, novembro 1922-1933). O ator Les Kurbas (Oleksandr-Zenon Stepanovych ou Aleksandr-Zenon Stepanovich, 1887-1937) estudou teatro em Viena. Depois, vivendo em Kiev, ele fundou o Teatro Jovem [Molody Teatr]. A empresa promoveu jovens atores e, atuando no papel título. Kurbas encenou Macbeth, de William Shakespeare com o Grupo de Drama Kyiv [Kiev Drame]. A companhia transferiu-se para Kharkiv, capital da Ucrânia, onde Kurbas formou a Associação Artística Berezyl, anexa ao Teatro Berezyl, que reuniu jovens atores, agentes e diretores de formação teatral. Nessa fase Kurbas criou a vanguarda teatral, combinando a pluralidade de várias linguagens cênicas das artes incluindo a literatura, a música, a filosofia e a psicologia, dando nova dimensão cultural de alto nível ao teatro ucraniano. Durante uma década, 1920-1930, todos os jogos teatrais encenados por Kurbas contaram com a participação de seus colaboradores mais próximos e de seus amigos Mykola Kulish (dramaturgo), e Vadym Meller (artista plástico). Uma das produções mais destacadas do Grupo do Teatro Berezyl foi O Folclórico Malaquias [Narodny Malakhiy] (1927), baseado no texto de M. Kulish, foi considerado pelos críticos como uma das melhores produções ucranianas do século XX. Durante alguns anos as autoridades soviéticas toleraram as atividades de Kurbas, mas a censura e a perseguição ao artista e ao Grupo do Teatro Berezyl se tornaram intensas (1931-1933). Quando a Associação Artística Berezyl deveria comemorar seu décimo aniversário, as autoridades soviéticas não permitiram as celebrações, sendo em seguida vedado o financiamento ao teatro. Nessa fase apareceram na imprensa grandes ataques censurando o Grupo do Teatro Berezyl. Na época, milhares de camponeses ucranianos morreram de fome, sem que as autoridades soviéticas mexessem um dedo para estancar a mortandade. No ano seguinte Kurbas programou o jogo teatral[Maklena Hrasa] [Maklena Hrasa], quando compareceram à estréia autoridades soviéticas, agentes da polícia secreta e o chefe da polícia secreta soviética na Ucrânia, V. Balytsky, entre outros. Depois do espetáculo não se ouviram aplausos (23 setembro, 1933). Kurbas anunciou a reencenação da peça no dia seguinte, quando a casa ficou lotada pelo povo e aplausos demorados foram ouvidos. Antes de ser proibida pelas autoridades soviéticas, a peça foi reencenada várias vezes, mas a punição chegou logo em seguida quando Kurbas foi destituído da direção do Teatro Berezyl (05 outubro, 1933). A peça de Kurbas foi submetida à critica feroz por parte das autoridades soviéticas. Na ocasião, Kurbas foi apoiado pelos atores Ivan Maryanenko e Romam Cherkashyn , além do diretor teatral Bóris Balaban , que, no entanto, pouco puderam fazer em prol do artista. Kurbas foi aprisionado (23 dezembro,1933), submetido a interrogatórios, sendo obrigado a assinar confissões forçadas por tortura, revelando a natureza hostil de seu teatro. Alguns críticos declararam que todos os jogos encenados por Kurbas estavam distantes do Teatro Realista Soviético, serviam apenas ao gosto filistino dos burgueses. Kurbas foi condenado, não por um tribunal mas por uma trinca – três pessoas autorizadas a sentenciar – a passar cinco anos em campo de concentração (1934). No primeiro campo no qual esteve detido, Kurbas dirigiu grupo organizando jogo teatral nunca encenado, pois, em seguida ele foi transferido para o campo Solovetski, nas Ilhas do Mar Branco, junto ao Círculo Polar Ártico. Kurbas e seu amigo Mykola Kulish foram executados com tiro desferido na parte de trás da cabeça (final outubro - novembro, 1937). TANYUK, Les. Talan i talant Lesya Kurbasa [Talento e destino de Les Kurbas]. Kiev, Ucrânia, Les Kurbas Center, 2007. INTERNET. Retrieved from: Acessed in: April 03, 2008.