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Wednesday, March 7, 2012

FOKINE, Michel (1880-1942).

Fokine nasceu na Rússia e tornou-se bailarino e coreógrafo e grande reformador da dança acadêmica: suas coreografias renovaram o repertório clássico, com a formação de novo estilo em coreografias que, desde então, Fokine utilizou nas suas performances , constantemente re-interpretadas e re-encenadas.

Fokine estudou no Teatro Maryinski e tornou-se membro do corpo de baile (1898); ele foi promovido a primeiro solista (1904-). No mesmo ano Fokine idealizou novo cenário para Daphnis et Chloë (Longus); e, nesse mesmo ano a bailarina americana Isadora Duncan, que viveu prolongado período na Rússia, revelou a Fokine um de seus segredos (1904):

[…] algo tão importante na dança quanto a técnica profissional: o espírito, a emanação da pura emoção […]


Fokine caiu em desgraça com o diretor do teatro: por esta época foi apresentado à Sergei Diaghilev, o promotor dos artistas plásticos do grupo do Mundo da Arte [Mir Iskusstva], que tornou-se o maior embaixador da arte russa no ocidente. Diaghilev apresentou vários balés com música de Igor Stravinski, sendo que ele encomendou-lhe inicialmente a versão orquestral adaptada de valsa de Fréderic Chopin para Chopiniana (Paris, 1909). A primeira récita de balé com essa música foi apresentada com coreografia de Michel Fokine no Teatro Mariinski (Moscou, fevereiro, 1907). Diaghilev contratou Fokine para sua recém fundada companhia dos Balés Russos [Ballets Russes]; e Fokine coreografou e dançou, na sua primeira notável temporada (Paris, 1909). O grande e imediato sucesso dos Ballets Russes permitiu à Diaghilev manter sua companhia ativa até o final de sua vida (1929).

Fokine casou-se com sua colega de palco Vera Antonova e coreografou A morte do Cisne (1907), de Saint-Saëns, que marcou indelévelmente a carreira de Ana Pavlova. Esse trecho de balé assumiu valor mais do que simbólico, pois foi repetidamente dançado por Pavlova até o final de sua carreira. Pavlova foi a única bailarina à mobilizar multidões e tornou-se conhecida como a artista dos milhões de espectadores. A diva dançou duas temporadas para os Balés Russos, antes de lançar-se na sua carreira individual, de maior sucesso internacional de uma bailarina no século XX.

Os balés que Fokine coreografou para os Balés Russos foram: O Pavilhão de Armide; as Danças Polovetsianas do Príncipe Igor; As Sílfides e Cleópatra (1909). Seguiram-se Carnaval, Shéhérezade e O Pássaro de Fogo (1910); O Espectro da Rosa, Narciso e Petrushka (1911); depois O Deus Azul, Thamar, Daphnis e Chloé (1912), seguidos por Borboletas [Papilons], A lenda de José, Midas, e a re-encenação de O Galo de Ouro (1914).

Ocorreu a mudança na Companhia Teatral S. P. Diaghilev, promotora dos Balés Russos, quando Nijinski ascendeu ao posto de primeiro bailarino (1912). O novo e excepcional bailarino tornou-se, pouco à pouco, o coreógrafo de seus próprios espetáculos e principal bailarino da companhia de Diaghilev, que rompeu com Fokine (1913). O bailarino e coreógrafo voltou à Rússia, para logo depois aceitar o importante cargo de diretor dos Balés Reais Suecos (1913-1914). Foi à partir dos ensinamentos de Fokine ao grupo de brilhantes bailarinos suecos, e notadamente à Jean Borlin, que deu-se a formação do único grupo que dividiu os palcos parisienses com a companhia de Diaghilev: formou-se a companhia dos Balés Suecos [Ballets Suedois] (Paris, 1920-1924). Organizada pelo empresário sueco o Rolf de Maré, a nova companhia absorveu quase todos os alunos de Fokine que dançaram por toda a Europa, com temporadas anuais em Paris (Publicarei posteriormente a história dos Balés Suecos [Ballets Suedois], no Blog: http://arteeuropeiadevanguarda.blogspot.com/).


Depois que Nijinski, que dançou balés durante dez anos (1906-1916), sendo os sete mais importantes para os Ballets Russes, enlouqueceu, e passou o restante da vida internado em instituição para saúde mental, Fokine pediu para voltar, e voltou a trabalhar para a Cia. Teatral S. P. Diaghilev.

Na época, a idéia de Sergei Diaghilev foi criar balé baseado na Commedia del'Arte italiana, inspirado em manuscrito do século XVIII que contava a história de quatro polichinelos parecidos. Surgiu assim o balé Polichinelo [Pulcinela] (1919), com a cenografia e figurinos de Picasso, que inspirou-se nas decorações barrocas do teatro italiano. A coreografia foi de Michel Fokine (1881-1942) e a música foi adaptada por Igor Stravinski (1882-1971) das partituras de antigo compositor napolitano, Pergolesi, que Diaghilev escolheu como tema do balé. No dia da estréia do balé, Diaghilev não estava satisfeito, nem com os figurinos de Picasso, nem com a adaptação musical de Stravinski, mas o balé conheceu grande sucesso à partir da estréia (Paris, 15 maio, 1918).

Fokine abriu escola de balé na Dinamarca; ele passou os últimos anos de sua vida nos Estados Unidos, mas não produziu nada semelhante aos balés de sua juventude. Várias fotografias dos notáveis espetáculos vanguardistas dos Balés Russos, encontram-se reproduzidas (SHEAD, 1989); e inúmeras fotografias dos Balés Suecos encontram-se reproduzidas (HAGER, 1986).

REFERÊNCIAS SELECIONADAS;
 
HAGER, B. Les Ballets Suedois. Translated by Ruth Sharman. London: Thames and Hudson, 1990. 303p.: il., algumas color., pp. 210-219, 295..

SHEAD, R. Ballets Russes. Secaucus, New Jersey: Quarto Book, Wellfleet Press, 1989. 192p.: Il,.algumas color., 25 x 33 cm, pp. 16-17, 24, 29, 31, 32, 38, 52, 74, 94,130, 167.


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